Al-Qaeda se recompõe e ameaça EUA, diz relatório

Segundo espionagem americana, ações contra rede não eliminaram risco de novo ataque no país

O Estado de S.Paulo

18 Julho 2007 | 05h35

Os serviços secretos dos Estados Unidos divulgaram ontem um relatório no qual advertem: a rede terrorista Al-Qaeda pode usar seus contatos no Iraque para realizar atentados em território americano. O material divulgado no Relatório Nacional de Inteligência foi redigido pelos 16 órgãos de espionagem dos EUA e contém uma análise de "ameaças persistentes e em evolução" que o país pode enfrentar ao longo dos próximos três anos. A conselheira de Segurança Interna da Casa Branca, Frances Townsend, afirmou que, apesar do risco, não há informações concretas sobre um ataque específico. "Mesmo assim, o aviso é claro e nós estamos levando isso a sério", disse Frances durante a apresentação do estudo. Ela também reiterou que os EUA precisam de seus aliados para vencer a "guerra ao terror". De acordo com o documento, a campanha mundial contra o terrorismo desde os ataques de 11 de setembro de 2001 nos EUA conseguiu restringir a capacidade da Al-Qaeda de realizar atentados semelhantes desde então. No entanto, a rede terrorista liderada por Osama bin Laden continua sendo a ameaça mais perigosa para os americanos. O relatório também afirma que os esforços para expulsar os militantes da Al-Qaeda da região tribal do norte do Paquistão não tiveram êxito e o grupo conseguiu reconstruir sua estrutura de comando e operações. A chefia principal da rede também deve continuar a estimular comunidades de extremistas sunitas a "imitar seus esforços". Segundo o relatório, o grupo xiita libanês Hezbollah também pode tornar-se uma ameaça dentro dos EUA se sentir que o Irã - seu principal patrocinador - estiver ameaçado pelos americanos. O documento apontou ainda para a possibilidade de ataques promovidos por terroristas sem ligação com grupos muçulmanos. Os serviços secretos também destacam a possibilidade de a Al-Qaeda buscar contatos dentro do Iraque - país considerado o aliado mais "visível e poderoso" da rede terrorista. O documento assinala que, ao infiltrar-se no Iraque, a Al-Qaeda conseguiu conquistar mais simpatia, verba e militantes entre os sunitas. Os órgãos de espionagem americanos também dizem que a rede terrorista não hesitará em utilizar armas "químicas, biológicas ou nucleares" em um ataque contra os EUA. O relatório destaca, entretanto, as medidas de segurança adotadas pelos EUA desde os ataques de 2001. Segundo o documento, tais medidas convenceram os grupos terroristas de que um atentado contra o país é hoje "muito mais difícil" do que antes. O diretor de Inteligência dos EUA, Mike McConnell, reuniu-se ontem com o presidente George W. Bush para expor os detalhes do estudo.

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