Al-Qaeda tem dinheiro para novos ataques, alerta a ONU

A rede terrorista Al-Qaeda, de Osama bin Laden, continua tendo acesso a novas fontes de renda, mesmo com a campanha internacional para bloquear os fundos da organização, de acordo com o rascunho de um relatório preparado pela ONU e divulgado nesta quinta-feira. O documento informa que o grupo investiu pelo menos US$ 30 milhões no norte da África e no Oriente Médio. Este dinheiro, segundo estimativas, poderia chegar a até US$ 300 milhões. De acordo com o informe, as contas da Al-Qaeda "encontram-se bem e seguras" e o grupo terrorista "pode atacar quando lhe for conveniente". O relatório informa também que "os objetivos principais da rede terrorista seriam pessoas e propriedades americanas e aliados dos EUA na luta antiterrorista, como Israel". Depois dos atentados de 11 de setembro, os Estados Unidos e vários países aliados lançaram uma campanha para bloquear financeiramente o grupo terrorista. Desde então, foram congelados mais de US$ 112 milhões pertencentes a várias organizações - muitas delas disfarçadas de instituições de caridade - suspeitas de sustentar economicamente a Al-Qaeda. No entanto, segundo o documento, a campanha se estancou, e o grupo considerado responsável pelos atentados de 11 de setembro conseguiu obter dezenas de milhões de dólares em novos fundos e já está em condições de atacar novamente. O rascunho de 43 páginas, preparado por uma comissão da ONU dedicada a supervisionar os esforços internacionais para bloquear o acesso da Al-Qaeda a armas, recursos financeiros e viagens, afirma que os esforços para cortar o fluxo de dinheiro da organização foram consistentes nos primeiros meses depois do atentado. No entanto, no último mês, foram detectados e congelados apenas US$ 10 milhões supostamente dirigidos aos cofres da Al-Qaeda. Com a diminuição da pressão, os financistas do grupo terrorista conseguiram retomar os investimentos e a coleta de contribuições. Segundo o informe, a Al-Qaeda mantém contas bancárias em nomes de "laranjas" em Londres, Viena, Hong Kong e Dubai. Para a ONU, os "contadores" da Al-Qaeda encontraram formas de burlar os investigadores financeiros transformando parte dos fundos em metais e pedras preciosas e criando um sistema próprio de troca de divisas. Al-Qaeda, diz o informe, continua levantando fundos graças a "atividades ilegais" difíceis de rastrear, como o contrabando e a fraude com cartão de crédito. Apesar das novas formas de financiamento, acrescenta a ONU, a Al-Qaeda continua recorrendo a uma das mais antigas fontes de dinheiro: a fortuna pessoal de Bin Laden, que pertence a uma milionária família saudita.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.