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Al-Qaeda usa deficientes para matar mais de 70 em Bagdá

'Al-Qaeda encontrou um novo e mortal meio para tentar desestabilizar o Iraque', diz embaixador americano

Associated Press, BAGDÁ

01 de fevereiro de 2008 | 21h18

BAGDÁ - O ataque que deixou dezenas de mortos em Bagdá nesta sexta-feira, 1, revelou um novo e cruel método utilizado pelos militantes supostamente ligados à Al-Qaeda no Iraque. Segundo autoridades iraquianas, os terroristas ataram bombas ao corpo de duas mulheres com síndrome de down e as acionaram por controle remoto, assassinado mais de 70.

Segundo o porta-voz do chefe militar iraquiano em Bagdá, Qassim al-Moussawi, o método utilizado pelos terroristas leva a crer que as mulheres - portadoras de síndrome de Down - poderiam não estar cientes do que ocorreria. Segundo Moussawi, a nova tática adotada pela Al-Qaeda seria um indício de que o grupo não tem pessoas dispostas a tornar-se suicidas.

O primeiro ataque aconteceu por volta das 10h20, no mercado central al-Ghazl. O local foi bombardeado várias vezes desde o início da guerra, mas recentemente voltou a ser um lugar de compras populares após o reforço na segurança de Badgá e da proibição de dirigir às sextas-feiras. Oficiais de polícia e de hospitais da região disseram que ao menos 46 pessoas morreram e mais de 100 ficaram feridos.

Depois de vinte minutos, a segunda mulher-bomba atacou uma loja de aves, numa área predominantemente xiita ao sudeste de Bagdá, matando 27 pessoas e deixando outras 67 feridas, informaram oficiais da polícia. Uma testemunha que não quis se identificar afirmou a rede de televisão da agência Associated Press que a mulher disse que tinha pássaros para vender, e se dispersou entre as pessoas.

"Usando iraquianos inocentes, os terroristas mostram suas feições demoníacas", disse o tenente Steve Stover, porta-voz da Divisão Multinacional de Bagdá. "Eles não se importam com o povo iraquiano; eles querem subjugá-los e os forçar a criação de um grande estado islâmico", acrescentou, fazendo referência a lei islã.

Dia violento

Foi o dia mais violento no país desde que os Estados Unidos enviaram 30 mil novas tropas para Bagdá em agosto passado. O presidente iraquiano, Jalal Talabani, declarou que 70 pessoas morreram nos dois ataques, que segundo ele foram comandados por terroristas motivados por desejo de vingança e "para mostrar que eles ainda estão dispostos a parar a marcha da história e a reconciliação do nosso povo".

O número de civis e militares mortos no país em janeiro, no entanto, caiu para cerca de 609, o menor índice de mortes num mês desde janeiro de 2005.

Novo método de ataque

O embaixador americano no Iraque, Ryan Crocker, disse que o ataque mostrou que a Al-Qaeda encontrou "um novo e mortal meio" para tentar desestabilizar o Iraque. "Não existe nada que eles não farão se acharem que isso possa resultar na criação de um massacre e problemas políticos", disse o embaixador.

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