Al-Sadr diz que violência continua até retirada dos EUA

A violência no Iraque continuará até a retirada das tropas americanas, afirmou o líder xiita iraquiano Moqtada al-Sadr, em entrevista publicada nesta sexta-feira pelo jornal italiano La Repubblica.Ainda na sexta-feira, o secretário da Defesa norte-americano, Robert Gates, fez uma visita inesperada ao Iraque e se encontrou com o comandante dos Estados Unidos no Iraque, George CaseyPara al-Sadr, o Iraque está completamente dividido por culpa do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, que provocou a situação "para controlar melhor o país"."Acho que existe só uma possibilidade para se chegar uma solução: a retirada imediata dos americanos", disse o clérigo xiita.Segundo o jornal italiano, Sadr se sente ameaçado até mesmo por seus seguidores mais fiéis, por isso escondeu a sua família e não dorme nunca no mesmo lugar, para evitar emboscadas.O líder xiita critica o atual Governo e diz que nunca confiou no primeiro-ministro iraquiano, Nouri al-Maliki, que sempre suspeitou "que estivesse manipulado".Sadr anunciou que o Governo já começou uma batalha contra sua milícia, com a detenção de 400 homens, mas acrescentou que o grupo vai se defender.Segundo Sadr, existem "quatro exércitos" dispostos a acabar com seu grupo: um comando secreto, treinado no deserto jordaniano pelas forças americanas, os "peshmerga" curdos, o Exército americano e os homens preparados pelo ex-primeiro-ministro Yyad Allawi.O clérigo acusa Allawi de ser homem de confiança dos EUA e de estar "preparando seu próprio Exército no aeroporto militar de Muthanna, para suceder Maliki".O rebelde xiita também desmente boatos de que ele ou seus homens estiveram presentes na execução do ex-presidente iraquiano Saddam Hussein."É claro que não chorei por u homem que massacrou a minha família e meu povo. Só que, se dependesse de mim, ele teria sido executado em praça pública, para que todo o mundo visse", afirma Sadr. Gates visita o IraqueO secretário da Defesa norte-americano, Robert Gates, encontrou-se na sexta-feira com o principal comandante dos Estados Unidos no Iraque, na cidade de Basra. Gates e o general George Casey também reuniram-se com comandantes da força britânica que monitora o sul do país. A viagem não-anunciada, parte de uma visita à região que inclui Afeganistão e Arábia Saudita, é a segunda de Gates ao Iraque em um mês. Ele foi indicado ao cargo depois da renúncia de Donald Rumsfeld em novembro. Violência no Iraque Um soldado americano morreu e outros três ficaram feridos na explosão de uma bomba na passagem do veículo no qual se deslocavam no noroeste de Bagdá, informou nesta sexta-feira o comando americano.O atentado ocorreu na quinta-feira, quando os militares faziam tarefas de vigilância, informou o comunicado, sem dar mais detalhes.Com esta nova morte, chega a 3.020 o número de soldados americanos mortos no Iraque desde a invasão do país, em março de 2003, por tropas internacionais lideradas pelos EUA.Na quarta-feira, o comando americano anunciou que dois de seus soldados morreram em "operações de combate" na província de Al-Anbar, no oeste do Iraque. Já outros seis soldados britânicos ficaram feridos após ataques a Basora, sul do Iraque, informou o Ministério de Defesa de Londres. Os soldados foram atendidos em um hospital local e em bases militares.

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