Al-Shabab não desapareceu e voltou com determinação

CENÁRIO: Adam Taylor / THE WASHINGTON POST

O Estado de S.Paulo

07 de abril de 2015 | 02h07

O Al-Shabab voltou às manchetes do mundo todo com o terrível ataque contra a Universidade de Garissa. O impressionante retorno do grupo militante marca o pior ataque terrorista no Quênia em quase duas décadas. Nos últimos anos, o grupo foi ofuscado por movimentos como o Estado Islâmico e o Boko Haram, que representam uma nova geração de terrorismo. Agora, vale perguntar: por que o Al-Shabab está de volta? E, mais importante, o grupo algum dia realmente saiu de cena? O Al-Shabab, que significa "o jovem", em árabe, se considerava uma milícia jovem da chamada União das Cortes Islâmicas (UCI), uma coalizão de tribunais da sharia que controlava grandes áreas da Somália em 2006. Para muitos analistas, as origens do grupo são mais profundas, ligadas à milícia salafista Al-Ittihad al-Islami, que surgiu na década de 90, após a queda da ditadura na Somália.

Depois que a UCI foi derrotada por tropas leais ao governo de transição da Somália e da Etiópia, em 2007, os combatentes do Al-Shabab se concentraram na zona rural, onde passaram a realizar ataques de guerrilha por recomendação da Al-Qaeda. Em 2008, o governo americano incluiu o Al-Shabab em sua lista de organizações terroristas e, em 2012, o grupo oficialmente jurou lealdade ao líder da Al-Qaeda, Ayman al-Zawahiri. As táticas violentas - incluindo o apedrejamento de alunas, ataques contra torcedores de futebol e decapitações - logo tornaram o grupo conhecido. Embora inicialmente seus alvos se concentrassem na Somália, o Al-Shabab, aos poucos, começou a ficar conhecido fora do país - especialmente no Quênia e em Uganda.

O Quênia enfureceu os militantes ao enviar tropas para a Somália para lutar ao lado da União Africana (UA), o que levou a algumas das respostas mais sangrentas do grupo terrorista. A mais notória foi em 21 de setembro de 2013, quando a milícia lançou um ataque ao shopping Westgate, em Nairóbi, que deixou 67 mortos.

Na Somália está claro que o Al-Shabab está longe de ter o poder de antes, mas a realidade é que o grupo não desapareceu, apesar da intervenção da UA na Somália e dos ataques americanos, e é suspeito de uma série de atentados no Quênia. O Boko Haram e o EI desviaram a atenção mundial do Al-Shabab, mas os constantes ataques do grupo são um lembrete do quão difícil é frear organizações empenhadas em lutas de guerrilha e terrorismo. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

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