Alan Garcia ameaça Toledo no segundo turno

Projeções baseadas nos resultados oficiais parciais divulgados pelo Escritório Nacional de Processos Eleitorais (Onpe, pelas iniciais em espanhol) confirmaram nesta segunda-feira que a disputa pela presidência do país será decidida no segundo turno entre o economista Alejandro Toledo e o ex-presidente Alan García Pérez. Apurados 73,12% dos votos, Toledo liderava com 36,48%, seguido por García, com 26,11%, e pela candidata direitista Lourdes Flores, com 23,69%. Após a divulgação desses números, Lourdes reuniu a imprensa para admitir a derrota. "Uma diferença de 10 ou 11 pontos porcentuais é muito pequena para dar tranqüilidade a Toledo, que, apesar de ter obtido mais votos no domingo, acabou fracassando em seu principal objetivo, que era evitar o segundo turno ou, pelo menos, conseguir uma votação acima dos 40% que obteve na eleição do ano passado", disse a gerente-geral do instituto de pesquisa Imasen, Giovana Peñaflor. "A situação de Toledo complica-se ainda mais quando ele tem de confrontar-se com Alan García, cuja candidatura vem num crescimento constante e tem grande domínio de cena. É quase um consenso entre os analistas que um debate eleitoral acabaria por beneficiar o ex-presidente." Para o professor de História Econômica e Relações Internacionais da Unesp, o peruano Enrique Amayo, Toledo deve mobilizar as classes C, D e E da população peruana para obter os votos necessários para vencer no segundo turno. "Grande parte da população indígena do interior do país pode fazer a diferença em favor de Toledo porque se identifica mais com ele do que com García", declarou Amayo.Sobre o destino do país depois da posse do novo presidente, em 28 de julho, Amayo é categórico: "Se García vencer, haverá um retrocesso político no Peru, uma situação semelhante à do fim dos anos 90, que ajudou a justificar a chegada de (Alberto) Fujimori ao poder. Já Toledo é a esperança de algo novo, dissociado da velha política representada por García." Como primeira conseqüência da passagem de García para o segundo turno, a Bolsa de Valores de Lima sofreu a maior queda do ano, de 2,43%. Bônus da renegociação da dívida peruana caíram 1,72% em Wall Street e o índice de risco do país aumentou em 50 pontos. O segundo turno deve realizar-se em maio ou junho. As projeções indicam que o partido de Toledo, o Peru Possível, obterá quarenta e uma do total de 120 cadeiras do Congresso. O Partido Aprista (sucessor da histórica Aliança Popular Revolucionária Americana, Apra) deve obter 29 cadeiras e a Unidade Nacional, de Lourdes Flores, 15. Toledo interrompeu nesta segunda-feira pela manhã uma reunião política na sede do partido de García, em Lima, para cumprimentá-lo pela passagem para o segundo turno. Os dois se deixaram fotografar juntos e comprometeram-se a manter uma disputa limpa no segundo turno.

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