Alan García recusa pedir desculpas a Hugo Chávez

O presidente eleito do Peru, Alan García, afirmou nesta terça-feira que não tem que pedir desculpas ao presidente da Venezuela, Hugo Chávez, e disse que sem Caracas a Comunidade Andina (CAN) tem mais futuro. "Não peça que me desculpe por algo que teve origem em ingerências e expressões inaceitáveis para o direito internacional", disse García a jornalistas pouco depois de sua chegada à Brasília, para um encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Chávez trocou insultos com o presidente peruano, a quem chamou de "corrupto" e "ladrão".O presidente da Venezuela disse no final de semana que as relações entre a seu país e o Peru estão congeladas e permanecerão no "mais profundo refrigerador", até que García se desculpe ao "povo venezuelano" pelas ofensas. García, que se reuniu nesta terça-feira com o presidente Lula, disse em tom irônico pouco antes do encontro que está disposto a reiniciar o diálogo entre o Peru e a Venezuela, mas sem o "sensível" e "telenovelístico" pedido de desculpas.Chávez foi um dos pontos de polêmica durante a campanha eleitoral no Peru, ao declarar seu apoio ao candidato nacionalista, Ollanta Humala.O mandatário venezuelano ameaçou romper relações diplomáticas caso García fosse eleito, e em um tom menos contundente disse no domingo que as relações estavam congeladas. "Na Venezuela faz muito calor, e duvido que algo possa durar congelado", ironizou García nesta terça-feira."O senhor Chávez já perdeu no Peru e deve entender que o Peru não irá se submeter a nenhuma companhia petrolífera como fez a Bolívia", acrescentou. O Peru acusa Chávez de pretender usar seus "petrodólares" para estender sua influência regional. Futuro da CANSobre a crise que vive a Comunidade Andina (CAN) - formada pela Bolívia, Colômbia, Equador e Peru - García disse que o bloco de integração regional está melhor sem a Venezuela."Creio que agora temos mais futuro, porque navegar com um inimigo interno complica a situação. Acredito que está eliminada a possibilidade de uma explosão interna com uma ingerência em outros países", disse o presidente eleito. Chávez ordenou em abril a retirada da Venezuela da CAN em protesto pela decisão da Colômbia e do Peru de firmar um acordo de livre comércio com os Estados Unidos. "A Comunidade Andina poderá negociar seu tratado de livre comércio com a União Européia sem que ninguém, por ter maiores recursos(...), obstaculize isso", acrescentou em referencia à posição financeira da Venezuela graças ao seu petróleo.

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