Alan García toma posse e promete guerra à pobreza no Peru

O novo presidente peruano, Alan García, tomou posse nesta sexta-feira retornando ao poder 16 anos depois do fim de seu desastroso mandado, entre 1985 e 1990, quando deixou o governo em meio ao caos econômico e a escalada da violência. Ele prometeu uma guerra contra a pobreza e atacou o que chamou de "gastos excessivos e extravagantes" do antecessor, Alejandro Toledo, que lhe passou a faixa presidencial.No Congresso, García prestou juramento diante de parlamentares, ministros, juízes e outras autoridades, além de representantes estrangeiros, entre eles o príncipe Felipe, da Espanha, e o secretário de comércio dos EUA, Carlos Gutierrez. O novo presidente apontou seis mulheres para postos chave em seu Gabinete na quinta-feira, incluindo as primeiras ministras da Justiça e do Interior da história do Peru.Como um sinais de confiança para a comunidade financeira internacional, Garcia nomeou como ministro das Finanças um conservador, o ex-diretor do Banco Central, Luis Carranza.Redução de gastosGarcia disse que irá reduzir o salário presidencial do valor equivalente a US$12 mil por mês para menos de USS$ 7 mil. Toledo originalmente estabeleceu seu salário em US$18 mil, o mais alto dentre todos os presidentes da América Latina. O valor foi reduzido mais tarde, depois de pressão da opinião pública.Outras medidas anunciadas pelo novo presidente incluem cortes do orçamento anual do palácio do governo, atualmente de US$6 milhões e o direcionamento do dinheiro economizado para um projeto de irrigação rural que segundo, Garcia, irá beneficiar 15 mil pessoas. Toledo deixa o cargo com recordes de crescimento econômico, mas enfrenta pesadas críticas por ter fracassado nas promessas de reduzir a pobreza."Recebemos o país em uma situação contraditória. Estamos crescendo e exportando mais, mas não há trabalho suficiente nos lares dos peruanos. Há medo e desilusão", disse García, prometendo que nos primeiros 17 meses de governo investirá US$ 1,6 bilhão em estradas, escolas e postos de saúde nas áreas rurais mais pobres do Peru.As pesquisas mostram que 50% dos peruanos aprovam a conduta de Garcia desde as eleições em junho, mas também indicam que mais pessoas estão céticas do que esperançosas em relação à sua administração. Campanha eleitoral O líder da oposição peruana, Ollanta Humala, disse nesta sexta-feira que o apoio de seu Partido Nacionalista ao novo Governo de Alan García passa pela redação de uma nova Constituição. Humala e Garcia travaram uma acirrada campanha eleitoral marcada pelas trocas de acusações e incidentes diplomáticos. O presidente da Venezuela, Hugo Chávez foi um figura presente nos debates políticos. Apoiando Humala, Chávez trocou acusações com García, e com Toledo, acusando os dois de serem manipulados pelos Estados Unidos. Garcia por sua vez, acusou o venezuelano de se intrometer nos assuntos internos peruanos. A troca de farpas entre Chávez e García resultou na retirada dos respectivos embaixadores em Lima e em Caracas. Sobre a relação entre os dois líderes, o presidente da Bolívia, Evo Morales, se manifestou nesta sexta-feira e pediu que Chávez, e García se reconciliem. Morales propôs ainda que ambos se encontrem no dia 6 de agosto na cidade boliviana de Sucre."Sonho que os presidentes Chávez e García superem suasdiferenças, este é meu grande desejo. Temos nossas diferenças, mas por nossos povos devemos pensar na reconciliação", disse Morales, antes de assistir à posse presidencial de García, em Lima. Texto atualizado às 18h56

Agencia Estado,

28 de julho de 2006 | 18h15

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.