Alan García volta ao Peru em busca da presidência

O ex-presidente Alan García, que retornou ao Peru na noite deste sábado, depois de nove anos de exílio, para disputar a presidência do país, criticou duramente o destituído Alberto Fujimori num comício que reuniu milhares de pessoas, dando início à sua campanha eleitoral visando a votação de abril.García, que esteve exilado na Colômbia quando fugia do que chamou de perseguição política de seu sucessor Fujimori, pediu aos peruanos para enterrar o "fujimorismo econômico", que, segundo ele, enganou o país com uma "falsa modernidade", caracterizada pelo desemprego, baixos salários e o sucateamento da indústria. "Saúdo emocionado depois de nove anos o povo peruano que soube colocar-se de pé, marchar pelas ruas, lavar as bandeiras e pôr fim à ditadura para recobrar a liberdade", disse García perante dezenas de milhares de pessoas no comício na Plaza San Martín, no centro de Lima. O ex-presidente de 51 anos, candidato do Partido Aprista, afirmou que a "ditadura fujimorista" partiu "com seus vídeos, com seus milhões e com seus crimes", numa referência aos escândalos de corrupção que culminaram na destituição de Fujimori em novembro último. García foi processado por enriquecimento ilícito supostamente cometido durante seu mandato de 1985 a 1990, mas a Suprema Corte declarou recentemente prescritas as acusações, ao mesmo tempo em que suspendeu o mandado de prisão contra ele. García desembarcou na noite deste sábado acompanhado de sua mulher Pilar Nores, num vôo comercial procedente da Colômbia, no aeroporto internacional Jorge Chávez, onde foi recebido animadamente por uns 3.000 simpatizantes que o saudaram com cartazes e bandeiras de boas-vindas, gritando "Alan presidente". A Plaza San Martín, que foi nos últimos meses o centro dos protestos contra o governo Fujimori, estava repleta de simpatizantes. "O regresso de Alan García é bom para o país porque ele sempre nos apoiou com emprego e estabilidade trabalhista. Além disso, com García haverá democracia", opinou Luiz ZúÏiga, 41 anos, trabalhador têxtil. Mas Aquiles Reyes, um camponês de 60 anos que também se encontrava na plaza, criticou "a amnésia" dos peruanos. "Seu governo foi louco, foram ladrões e roubaram todo o país. Me suicido se Alan chegar à presidência", afirmou. O aprismo confia em que seu candidato se tornará numa espécie de vendaval na campanha para a eleição de 8 de abril, na qual concorrem nove candidatos. O ex-presidente encontra-se em terceiro lugar nas pesquisas de opinião, com 12% das intenções de voto. Em primeiro está Alejandro Toledo, com 33%. Entretanto, Alan García enfrenta uma rejeição de 65% dos peruanos, que disseram que nunca votariam nele. García, que aos 36 anos converteu-se no mais jovem presidente da história do Peru, é lembrado pelos peruanos por ter afundado o país no caos econômico, com uma hiperinflação de quatro dígitos, e de não ter atuado a tempo para deter o avanço de grupos subversivos.

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