Alarmes e ruas vazias aumentam tensão em Haifa

Depois de dias e noites de ataques com foguetes Haifa, em Israel, é uma cidade no limite, com ruas vazias, estradas quietas, lojas e empresas fechadas. A cidade é normalmente tranqüila, mas também agitada já que é considerada a "capital" do norte de Israel. No momento Haifa se encontra na linha de frente dos confrontos entre Israel e o grupo Hezbollah, e a tensão está começando a ficar aparente."Estou enlouquecendo. Hoje é o primeiro dia que saio de minha casa em uma semana. Estou com muito medo", disse Rivi, moradora de Haifa de 44 anos de idade.Sentada sozinha em um ponto de ônibus na Rua Hanassi, Rivi estava a caminho de Tel Aviv, seguindo centenas de outros moradores de Haifa que fugiram da cidade.Apesar de temer por sua segurança e pela segurança de seu filho de 18 anos, Rivi afirma que não tem dúvidas a respeito da operação de Israel no Líbano."É bom que a guerra tenha começado, pois é a única forma de parar com o terror", disse. Na primeira semana de confrontos mais de 30 foguetes Katyusha atingiram Haifa. A cidade, com seu grande porto e companhias petroquímicas, é um alvo para militantes do Hezbollah.EstrondoOs alarmes de ataques com mísseis fazem com que as pessoas corram para abrigos subterrâneos, sem saber onde o próximo foguete pode cair. Em algumas ocasiões é um alarme falso, mas o exercício é sempre o mesmo e os ânimos estão desgastados.Quando os foguetes não estão caindo em Haifa o som de estrondos pode ser ouvido, ecos de explosões de mísseis que caem em cidades e vilarejos vizinhos.A violência eclodiu no auge da estação em que Haifa recebe mais turistas e a maioria dos estrangeiros saiu do país. Alguns ainda estão chegando à cidade, apesar da ameaça.A família Kuykendall, de Seattle, nos Estados Unidos, chegou no domingo junto com um grupo de 150 peregrinos Bahai, que vieram visitar o templo Bahai na cidade."A violência entristece mais do que preocupa, mas transforma esta numa experiência única", disse Marsha Kuykendall, que está hospedada em um dos hotéis da cidade com o marido e dois filhos adolescentes."Esperamos sete anos para esta peregrinação então, até no meio de tudo isto, vemos como uma experiência para mudar nossas vidas, esperando que nossas orações possam unir a humanidade", disse.A conversa foi interrompida por outro alarme e a família e outros hóspedes abandonaram suas refeições no restaurante e foram para o abrigo subterrâneo do hotel.Do lado de fora as poucas pessoas nas ruas tentavam continuar com suas rotinas, por necessidade ou por determinação. "Não é fácil ouvir o alarme a cada poucos minutos", disse o dono de loja de livros Shmuel Gulden, de 50 anos. "As pessoas têm medo de sair. Haifa está quieta e o movimento caiu em 90%", disse Gulden esperando por clientes em seu quiosque."O exército diz que está destruindo a capacidade do Hezbollah, mas não melhorou nada por aqui e eu temo pela minha segurança e pela segurança da minha família", acrescentou.Gulden disse que espera que o confronto acabe e que a vida volte ao normal. "Acho que em poucos dias ficará mais calmo e então vou tirar minhas férias", afirmou.

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