Rodolfo Buhrer/REUTERS
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Alberto Fernández agradece apoio de Lula após vencer primárias argentinas 

Fernández visitou Lula na sede da Polícia Federal em Curitiba em julho e, na ocasião, declarou que acordo de integração entre Mercosul e União Europeia será revisto

Redação, O Estado de S.Paulo

12 de agosto de 2019 | 19h05

BUENOS AIRES - O candidato peronista à presidência da Argentina Alberto Fernández agradeu nesta segunda-feira, 12, ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelos cumprimentos enviados mais cedo por sua  vitória nas primárias argentinas de ontem. Fernández lidera a chapa na qual a ex-presidente e senadora Cristina Kirchner é sua vice. 

"Muito obrigado, querido amigo Lula. Como você bem disse, devemos dar esperança a nosso povo e cuidar de quem mais necessita", escreveu Fernández em sua conta de Twitter, em resposta a uma mensagem do ex-presidente brasileiro, que está preso por um caso de corrupção após um polêmico processo judicial. 

Lula, também pelo Twitter, destacou o "significativo resultado" alcançado por Fernández e Cristina, a quem também felicitou. A Argentina terá eleições presidenciais em 27 de outubro e a dupla Fernández e Cristina conquistou 15 pontos porcentuais de vantagem no domingo para o atual presidente, Mauricio Macri

Fernández visitou Lula na sede da Polícia Federal em Curitiba em julho. Na ocasião, ele declarou que o acordo de integração entre  Mercosul  e União Europeia será revisto, pois foi anunciado precipitadamente em razão da corrida eleitoral e porque agravará os problemas enfrentados pela indústria argentina.

Conversas com Macri

Fernández afirmou nesta segunda-feira que não espera um convite de Macri para uma conversa que ajude a solucionar a instabilidade provocada pelo resultado de domingo.

"O governo nunca chamou ninguém, não sei porque irá chamar agora", disse ao deixar uma reunião com outros candidatos da Frente de Todos, a coalizão que integra.

A derrota eleitoral sofrida por Macri teve impacto no mercado financeiro da Argentina, com queda de mais de 35% na Bolsa de Valores, além de forte alta do preço do dólar.

No mercado de câmbio, a moeda americana subiu 23,44% e é cotada a 55,85 pesos para venda. Em bancos privados e casas de câmbio, o valor alcançou a marca de 58,25 por dólar.

"Estamos começando uma campanha novamente. O governo precisa governar, e nós somos oposição", disse o candidato peronista, que chegou a 47,65% dos votos, contra 32,08% de Macri.

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Com essa margem, Fernández venceria as eleições presidenciais do dia 27 de outubro sem que houvesse a necessidade do segundo turno.

O candidato confirmou que, dos integrantes do governo atual, só conversou com o ministro do Interior, Rogelio Frigerio.

Perguntado pela reação dos mercados e sobre a desvalorização do peso, Fernández acusou a existência de manipulação sobre dados do país. "Infelizmente, é o que acontece quando um governo, durante tanto tempo, não diz a verdade sobre a economia. Um dia, a verdade aparece", disse o candidato. / EFE

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