AP Photo/Natacha Pisarenko
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Alberto Fernández quer fortalecer Mercosul e construir relações com Brasil além da ideologia

Novo presidente da Argentina faz juramento ante o Congresso e empossa seu gabinete de ministros na Casa Rosada; líder peronista terá o desafio de reativar economia do país

Redação, O Estado de S.Paulo

10 de dezembro de 2019 | 09h58
Atualizado 10 de dezembro de 2019 | 14h15

BUENOS AIRES - O novo presidente da Argentina, Alberto Fernández, afirmou nesta terça-feira, 10, em seu discurso de posse, que deseja fortalecer o Mercosul e construir uma relação com o Brasil apesar das diferenças ideológicas com o presidente Jair Bolsonaro.

"Vamos fortalecer o Mercosul e a integração regional em continuidade ao processo iniciado em 1983 e potencializado em 2003", disse Fernández no Congersso argentino. O líder peronista também prometeu uma diplomacia comercial dinâmica, inovadora e plural. "A Argentina é uma terra de amizades e relações maduras com os países."

Sobre o Brasil, vizinho e principal parceiro comercial, Fernández prometeu uma "agenda ambiciosa". "(Na área da) tecnologia, da produção e da estratégia, que estarão respaldadas pela histórica irmandade de nossos povos e que vai além de qualquer diferença pessoal dos que governam e da conjuntura", afirmou.

"Vamos honrar e avançar juntos na construção de um futuro de progresso compartilhado", completou o presidente argentino, ao dizer que seu governo "apostará em uma América Latina unida para se inserir com êxito e com dignidade no mundo".

Desafios econômicos

Fernández assumiu a presidência da do país com a missão de acertar o rumo de uma economia em crise, o que o obrigará a encontrar um equilíbrio delicado para lidar com grandes exigências tanto da população como dos investidores. 

Com a presença de líderes e autoridades de alguns dos principais parceiros da Argentina, Fernández fez seu juramento como presidente por volta do meio-dia ante o Congresso e deu posse aos ministros na Casa Rosada durante a tarde.

Na histórica Praça de Maio, uma multidão aguardava com música e festejos as palavras do novo presidente.

Segundo o jornal argentino Clarín, pouco antes de assumir, Fernández falou à rádio Con Vos que "o cenário atual do país é muito feio". "É uma situação muito difícil para qualquer lugar que se olhe. Pensar que 4 em cada 10 argentinos são pobres, nota-se a dimensão do problema."

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Com uma inflação acima dos 50% anuais, uma economia em recessão e uma pobreza próxima dos 40%, a renegociação de uma dívida pública de cerca de US$ 100 bilhões - que parece impagável no curto prazo - será essencial para o futuro de seu governo.

“O desafio de Fernández passa por criar as condições de confiança com uma manobra rápida para que a economia se ponha em marcha novamente, e isso vai depender do que fará com a dívida”, disse o analista político Julio Burdman.

Muitos investidores têm se mostrado inquietos com a probabilidade de que Fernández penda para uma regulação maior da economia, como fez sua vice-presidente, Cristina Kirchner, quando governou o país entre 2007 e 2015.

Por outro lado, qualquer ajuste na economia poderia lhe dificultar manter a coesão da aliança heterogênea de centro-esquerda que o levou ao poder, e por isso se espera uma mudança no que diz respeito às políticas de austeridade impulsionadas por seu antecessor, Mauricio Macri.

Relação com Bolsonaro

O presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, negou que foi um recuo do governo enviar o vice-presidente, Hamilton Mourão, à posse de Fernández. O governo havia desistido de enviar um nome do primeiro escalão, mas mudou sua decisão na tarde de segunda-feira. Questionado sobre a nova decisão, Bolsonaro disse: (Foi) porque eu decidi".

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"Vocês falam em recuo o tempo todo, como se o governo que dá cabeçada por aí. Às vezes você toma uma decisão antes de acontecer, né", disse ele.  O presidente comparou o caso a um jogo de futebol. "Você vê técnico de futebol, muitas vezes o cara tá ali para entrar em campo, o cara se machuca, não é que errou, aconteceu um imprevisto. E na política tem imprevisto a todo momento."

Bolsonaro disse também que o Brasil não deseja brigar com ninguém. "Queremos fazer comércio com o mundo todo."

O presidente voltou a afirmar, no entanto, que Fernández deve ter dificuldades para governar. "A Argentina também polarizou. Parecido aqui no Brasil. O partido do Macri fez uma bancada grande. Vão ter problemas para impor a sua política, no caso o Fernández. Estou torcendo para que a Argentina dê certo. Se bem que os números dizem que vão ter mais dificuldade do que nós", ressaltou. / REUTERS, COM MATEUS VARGAS

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