Coleção Particular/NYT
Coleção Particular/NYT

Álbum traz fotos de Hitler e suas vítimas

Mistério cerca o autor das 214 imagens registradas durante a 2ª Guerra

David W. Dunlap, The New York Times, O Estado de S.Paulo

22 de junho de 2011 | 00h00

Com certeza existem muitos álbuns de fotografias dos líderes nazistas e muitos álbuns de fotografias das vítimas dos nazistas. Mas é difícil imaginar álbuns mostrando ambos os temas, separados apenas por algumas páginas.

Uma dessas coleções apareceu em Nova York. Seu criador conseguiu - aparentemente no prazo de algumas semanas - fotografar Hitler em guerra na Rússia e algumas das primeiras vítimas daquela campanha brutal, conhecida como Operação Barbarossa, iniciada há 70 anos.

Duas páginas desse álbum, de fotos tiradas na Frente Oriental em 1941 são dedicadas aos prisioneiros. Alguns estão cobertos de trapos, outros usam uniformes do Exército Vermelho, outros ainda casacos com pedaços de pano com a Estrela de Davi. Estão diante do que parecem ser covas escavadas pouco antes.

Quatro páginas adiante, está o próprio Hitler, aguardando numa estação de trem a chegada do Almirante Miklos Horthy, o regente da Hungria. O fotógrafo está a poucos passos de Hitler, quase tão perto do Führer como estava dos prisioneiros do Führer.

Evidentemente, esse fotógrafo tinha grande facilidade de acesso - e um talento invulgar. Mas quem era? Seu álbum absolutamente comum, comprado numa loja, não traz nenhuma identificação ou inscrição. Só há uma legenda visível em uma das 214 fotografias 8 por 10.

E o que ele mostrava para a posteridade? Em primeiro lugar, ele documentava a viagem na Europa Oriental de um comboio de ônibus de uma unidade do Partido Nazista. A julgar pelas palavras rabiscadas nas janelas empoeiradas dos ônibus, o itinerário era Berlim-Minsk-Smolensk-Munique.

O campo de batalha não aparece quase, mas é evidente uma enorme destruição. Minsk, a capital da então República Socialista Soviética Bielo-russa - caiu dias depois do início da Operação Barbarossa -, está em ruínas.

Depois do interlúdio com Hitler, encontramos o fotógrafo em recuperação em uma espécie de clínica para convalescentes. Ele mostra para a câmera seu prontuário médico, mas é impossível ler. Depois, está na Bavária, onde um esquadrão de motociclistas parecem se exibir com suas proezas. Finalmente, o fotógrafo está em Munique ou arrabaldes, com uma mulher bonita que pode ser sua esposa. Ou irmã. Ou amante.

O álbum pertence a um executivo de 72 anos da indústria da confecção, que mora em Nova Jersey e trabalha no distrito da moda em Manhattan. Ele o emprestou ao New York Times na esperança de que sua divulgação na imprensa - e o reconhecimento da proveniência do álbum - aumente o seu valor. Ele gostaria de usar os proventos de uma eventual venda, segundo as suas expectativas na casa dos "seis dígitos ou mais", para pagar o tratamento médico e sair das dívidas.

O homem disse que o álbum de fotos lhe foi dado, com 50 mil figurinhas de beisebol, por um operário que teve vários problemas financeiros . O operário teria recebido o álbum de um velho alemão para o qual ele trabalhava cuidando do gramado. Como há nove fotos de Hitler no álbum de 24 páginas, todas as pessoas que o tiveram nas mãos sabiam que tinha algum valor. / TRADUÇÃO ANNA CAPOVILLA

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