Álcool, mentiras, subornos: as raras condenações de cunho político nos EUA

Álcool, mentiras, subornos: as raras condenações de cunho político nos EUA

Desde a fundação do país, Congresso processou 20 pessoas; conheça os casos de maior destaque

Redação, O Estado de S.Paulo

10 de fevereiro de 2021 | 06h00

WASHINGTON - O ex-presidente americano Donald Trump enfrenta esta semana seu segundo julgamento de impeachment, com alta probabilidade de absolvição. 

Ele, é claro, não é o único. Desde a fundação dos Estados Unidos, o Congresso processou 20 pessoas, incluindo Trump e dois outros presidentes, mas oito juízes são os únicos funcionários que foram condenados em juízo político e retirados de seus cargos. 

Conheça os casos de maior destaque:

Sem compaixão por Trump

O congressista americano Alcee Hastings teve a experiência única de ser processado e de ter votado no Congresso dos Estados Unidos para processar outra autoridade. 

Hastings foi juiz de Miami até 1989, quando o Senado o considerou culpado de conspirar para obter um suborno de US$ 150 mil (aproximadamente R$ 807 mil) de dois réus supostamente ligados à máfia que buscavam uma sentença mais branda.  

Mas a condenação de Hastings, contestada por ele veementemente, não o desqualificou de concorrer ao Congresso para representar um distrito da Flórida.

Foi eleito em 1992 e agora o democrata de 84 anos é o membro mais velho da delegação da Flórida na Câmara dos Deputados. 

Sua experiência não parece tê-lo tornado mais compassivo com Trump: Hastings votou duas vezes pelo impeachment do magnata republicano.

Salário na prisão

Apesar de ter sido condenado por sonegação de impostos em 1984 e sentenciado a dois anos atrás das grades, o juiz Harry Claiborne se recusou a renunciar ao cargo e ainda recebia US$ 78.700 (aproximadamente R$ 419 mil) por ano em salários do governo quando se apresentou à prisão. 

"Isso colocou o Congresso dos Estados Unidos em uma posição difícil", afirma o site do Senado, que acrescentou que Claiborne foi indiciado, condenado e destituído do cargo em 1986. 

No entanto, não foi de forma alguma o fim da carreira jurídica de décadas do magistrado, que supostamente trabalhou para Frank Sinatra, Dean Martin e até mesmo para o mafioso Bugsy Siegel. 

A Suprema Corte de Nevada, onde Claiborne advogou por décadas, decidiu em 1987 que ele poderia trabalhar como advogado no Estado.

Maconha, poços de petróleo, Suprema Corte

Nos anos 1980, o juiz Walter Nixon conseguiu alguns valiosos arrendamentos de poços de petróleo depois que o filho de um rico empresário foi preso por um carregamento de quase uma tonelada de maconha no Mississippi.

Nixon supostamente interveio junto aos promotores para que o caso fosse encerrado, na tentativa de ajudar seu amigo, o empresário. 

Depois de ser condenado por perjúrio e sentenciado à prisão, Nixon foi processado pelo Senado e expulso da ordem em 1989. 

Mas Nixon, que protestou por sua inocência, levou seu caso à Suprema Corte afirmando que havia sido julgado injustamente no Senado. Os juízes não se incomodaram e alegaram que a Constituição os impedia de revisar os julgamentos políticos.

"Estado de embriaguez total" 

Assim como corrupção e mentiras são desaprovadas entre as autoridades judiciais, mas a blasfêmia e o álcool também. 

Em 1804, o juiz John Pickering foi destituído do seu cargo por beber no trabalho e por comportamento "vergonhoso...e degradante para a honra dos Estados Unidos". 

Sua imputação, vividamente escrita, expressa desta forma: "Em estado de total embriaguez, produzido pelo consumo livre e intemperante de bebidas intoxicantes; invocou naquele momento e com frequência, da maneira mais profana e indecente, o nome do Ser Supremo, para mau exemplo de todo cidadão de bem dos Estados Unidos".  /AFP

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