Aldeia chinesa encerra protesto após concessões do governo

Moradores de uma aldeia chinesa encerraram nesta quarta-feira um protesto que durante mais de uma semana pôs à prova o controle do Partido Comunista, e que terminou com concessões do governo num caso que envolve uma disputa fundiária e uma morte suspeita.

SUI-LEE WEE, REUTERS

21 de dezembro de 2011 | 09h47

A população de Wukan (sul) havia rechaçado a presença policial e realizado manifestações por causa da morte do ativista Xue Jinbo, cuja família rejeita a alegação governamental de que ele morreu de causas naturais quando estava sob custódia policial. O confisco de terras agrícolas para um projeto urbano deu origem aos protestos.

Mas depois de uma conciliação com autoridades da província de Guangdong, os líderes da aldeia orientaram os moradores a retirarem as faixas de protesto e a voltarem à sua vida normal - desde que o governo mantenha sua palavra.

"Como essa questão foi solucionada, não vamos persistir em fazer barulho", disse o líder comunitário Yang Semao a moradores e jornalistas. "Mas se o governo não cumprir seus compromissos, vamos protestar de novo", alertou.

As autoridades aceitaram libertar três homens detidos por causa de protestos em setembro, quando um prédio público foi vandalizado, e prometeram também re-examinar a causa da morte de Xue, segundo um líder comunitário.

Xue havia sido detido no início dos protestos fundiários, em setembro. O governo diz que ele morreu do coração, mas os ativistas suspeitam que ele tenha sido submetido a agressões.

Embora a rebelião se limitasse à aldeia de Wukan, ela atraiu ampla atenção por implicar uma contestação ao Partido Comunista, que preza a estabilidade da China acima de tudo.

Wang Yang, dirigente regional do Partido Comunista, admitiu indiretamente que os moradores tinham razão para se queixar. "Houve algo de acidental no incidente de Wukan, mas também algo inevitável", disse ele em declarações publicadas na quarta-feira no Diário do Sul, jornal oficial da província.

"Isso é o resultado de conflitos que se acumularam durante um longo período no decorrer do desenvolvimento econômico e social", disse Wang, que segundo analistas aspira a um cargo na próxima liderança central da China.

O Diário do Sul disse que as concessões oferecidas pelas autoridades "demonstram sinceridade no trabalho com o governo para a solução dos problemas".

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