Aldeia de ex-canibais tenta afastar maldição de 136 anos

Moradores de uma remota aldeia de Fiji realizaram nesta quinta-feira extensas e elaboradas cerimônias para pedir desculpas aos descendentes de um missionário britânico ? o reverendo Thomas Baker - morto e devorado por seus ancestrais há 136 anos, em 1867. Nabutautau é uma aldeia remota situada na ilha de Viti Levu, no arquipélago de Fiji, no Pacífico Sul. Hoje, os moradores da aldeia ofertaram vacas, tapetes típicos e 30 raros dentes de baleia cachalote a 10 descendentes australianos do reverendo Baker que comparecem à cerimônia. Em uma mistura de cerimônias pagãs locais e cristãs, os aldeões tentaram mais uma vez apagar o que acreditam ser infortúnios que os deixaram pobres desde o fatídico assassinato do missionário britânico. "Este é o nosso terceiro pedido de desculpas, mas, ao contrário das outras duas vezes, este é feito fisicamente aos familiares do senhor Baker", declarou Ratu Filimoni Nawawabalavu líder da aldeia, em entrevista à The Associated Press. Nawawabalavu é bisneto do chefe tribal responsável pela morte do missionário. Há versões conflitantes sobre o que resultou no assassinato de Baker. Mas todas elas indicam que o reverendo teria tocado com a mão a cabeça do chefe tribal. Na época, tal "crime" era punido com a morte. Os dois pedidos de desculpas anteriores não geraram resultados. No último deles, em 1993, a aldeia devolveu à Igreja Metodista de Fiji as botas usadas por Baker quando ele foi morto. Os canibais também tentaram cozinhar a bota, mas não conseguiram. Os aldeões acreditam que, desde 1867, quando Baker foi morto e devorado, uma maldição recaiu sobre o povoado. Alguns dizem que o responsável seria o espírito vingativo do missionário. Outros acreditam tratar-se de um castigo dos deuses. Nabutautau não tem luz elétrica, escola, água tratada nem outros benefícios dos quais quase todos os outros habitantes de Fiji desfrutam. O único acesso à aldeia deve ser feito por uma trilha de troncos. Mas os tempos de vacas magras podem finalmente estar chegando ao fim. O primeiro-ministro de Fiji, Laisenia Qarase, que chegou de helicóptero à aldeia e promove uma campanha para melhorar a vida dos habitantes de áreas isoladas, deverá anunciar em breve notícias sobre o desenvolvimento de Nabutautau. x

Agencia Estado,

13 de novembro de 2003 | 13h41

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