Além do México, Peru também tira seu embaixador de Cuba

As críticas do presidente de Cuba, Fidel Castro, aos países latino-americanos que apoiaram uma resolução da Organização das Nações Unidas (ONU) para que Cuba coopere na proteção dos direitos humanos abriu uma crise diplomática. Ontem à tarde, o México pediu que o embaixador cubano deixasse o país em 48 horas e ordenou também a retirada de seu embaixador em Havana. O Peru também decidiu reduzir a sua representação diplomática em Cuba.No sábado, em comemoração do Dia do Trabalho, Fidel criticou todos os países que votaram em favor do projeto de resolução aprovado pela ONU em Genebra, no dia 15 de abril, que solicita a cooperação de Cuba com os mecanismos internacionais de proteção aos direitos humanos. Imediatamente depois, o governo mexicano decidiu retirar sua embaixadora, Roberta Lajous, de Havana, e pediu que o embaixador cubano Jorge Bolaños faça o mesmo e abandone a Cidade do México em 48 horas.Em entrevista à imprensa, o chanceler mexicano, Luis Ernesto Derbez, informou que as relações entre os dois países ficavam restritas a questões de negócios por causa de ingerência de funcionários cubanos em assuntos internos e declarou "persona non grata" o conselheiro de assuntos políticos da Embaixada cubana, Orlando Silva Fors, que terá de deixar o México com "caráter imediato é irrevogável". Ainda ontem, o Peru decidiu também reduzir as suas relações diplomáticas com Cuba depois de rejeitar o que classificou de "expressões ofensivas" do presidente Fidel castro contra o peru, que apoiou, em genebra, a resolução contra Cuba sobre direitos humanos. O governo peruano, em comunicado distribuído ontem à noite, informou que estava pedindo ao seu embaixador para deixar Havana e que a representação do país ficaria restrita ao encarregado de negócios. Durante seu discurso de 1º de maio, Fidel colocou em dúvida a liderança do presidente Alejandro Toledo devido à sua "baixa popularidade" (84% rejeitam a gestão atual, de acordo com pesquisas recentes).Fidel foi além, afirmando que alguns países (México, Chile e Peru, entre outros) da região não mostravam verdadeiros sentimentos em defesa pelos direitos humanos, mas respondiam a manobras dos Estados Unidos. "O governo peruano rejeita energicamente as expressões ofensivas do chefe de Estado da República de Cuba contra o Peru, as que necessariamente terão reflexo nas relações diplomáticas", diz a nota do governo peruano. Por 22 votos a favor, 21 contra e 10 abstenções, a resolução foi aprovada pela Comissão de Direitos Humanos das Nações Unidas.

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