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Alemã é a primeira mulher indicada para comandar o poder Executivo da União Europeia

A atual ministra da Defesa da Alemanha, Ursula von der Leyen, também é acompanhada da atual diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde, primeira mulher indicada para comando do BCE

Redação, O Estado de S.Paulo

02 de julho de 2019 | 16h24

BRUXELAS - Após três dias de negociações e a suspensão de uma reunião ainda na segunda-feira, 1, a repartição dos quatro cargos de alto escalão da nova legislatura da União Europeia foi definida nesta terça-feira, 2. Pela primeira vez, uma mulher é indicada para a presidência da Comissão Europeia, o cargo mais cobiçado do bloco.

A escolhida é a ministra da Defesa da Alemanha, Ursula von der Leyen. Além dela, outra mulher, Christine Lagarde, atual diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), foi indicada para a presidência do Banco Central Europeu (BCE). Essa também é a primeira indicação de uma mulher para o cargo. Caso aprovadas, von der Leyes e Lagarde assumirão seus postos por cinco e oito anos, respectivamente.

Com elas, o ministro das Relações Exteriores da Espanha, Josep Borrell, é a indicação para ocupar o posto de alto representante para Política Externa e Segurança da UE. O primeiro-ministro belga interino, Charles Michel, foi eleito presidente do Conselho Europeu.

Somente Michel poderá assumir o cargo, em novembro deste ano, sem demais formalidades. Os demais, especialmente von der Leyen, precisam ser aprovados pelo Parlamento Europeu. Os deputados escolherão o seu presidente na quarta-feira, 3.

A sessão desta terça para a escolha dos nomes começou às 16h (11h horário de Brasília), após cinco horas de atraso. Durante esse tempo, os líderes e o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, tiveram vários encontros bilaterais com o objetivo de fechar a repartição de cargos, depois que não foram capazes nos primeiros dois dias de cúpula de colocar-se de acordo para apoiar a candidatura do social-democrata Frans Timmermans a presidir a Comissão Europeia.

O processo de escolha foi um dos mais demorados nos últimos anos, ultrapassando as negociações da crise grega, por exemplo. Os líderes tiveram dificuldades para estabelecer um balanço geográfico e “de gênero”, garantindo que no mínimo duas mulheres fossem nomeadas para os cargos do alto escalão.

Alguns deputados já demonstraram objeções às indicações, consequência dos resultados das eleições de maio. O atual presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, afirmou que “não será fácil no Parlamento”. A alta fragmentação e polarização política tomou conta da disputa, com a ascensão de partidos menores, populistas e com discurso eurocético, ou seja, a favor do fim do bloco. A articulação das diversas vozes que compõem a nova legislatura será um desafio para os futuros comandantes.

Conheça os quatro indicados para os cargos de alto escalão

Ursula von der Leyen – A alemã conservadora de 60 anos é a vice-presidente da União Democrata Cristã (CDU) e próxima à chanceler Angela Merkel. Chegou a ser considerada sua herdeira para o cargo. Von der Leyen é francófila, apreciada por Paris, particularmente pela boa cooperação em temas de defesa franco-alemã. Entretanto, o balanço de seu mandato à frente do ministério da Defesa, ocupado durante quase seis anos, é controverso.

Charles Michel – O atual primeiro-ministro belga, de 43 anos, é um liberal que ascendeu na carreira devido à uma nomeação política precoce, na sombra de seu pai, o ex-comissário europeu Louis Michel. Com um bom nível das línguas francesa e flamenga, comanda há cinco anos a coalizão da Nova Aliança Flamenga (N-VA), partido nacionalista de direita que defende a independência da região de Flandres, na Bélgica.

Josep Borrell – O ministro das Relações Exteriores da Espanha tem 72 anos e é um catalão anti-independência da região, membro do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE). Ele já presidiu o Parlamento Europeu entre 2004 e 2007, e substituirá no cargo da Política Externa europeia a também socialista italiana Federica Mogherini. Borrell é conhecido pela transparência em seus discursos. Nos últimos meses se posicionou ativamente a respeito da crise na Venezuela e tem criticado com frequência a administração do presidente americano Donald Trump.

Christine Lagarde – A francesa de 63 anos foi a primeira ministra das Finanças francesa, além de também ser a primeira mulher a comandar o FMI. Ex-campeã de nado sicronizado, Lagarde se formou em advocacia e posteriormente chegou ao mercado financeiro, virando banqueira. Ela também foi a pioneira sob o comando de um grande escritório de advocacia americano. / AP, AFP e EFE

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