Tobias SCHWARZ / AFP
Tobias SCHWARZ / AFP

Alemães criam movimento de esquerda contra imigração

O Aufstehen quer atrair eleitores decepcionados com esquerda tradicional, que recebeu menos de 40% dos votos em 2017

O Estado de S.Paulo

04 Setembro 2018 | 20h23

BERLIM - Um novo movimento de esquerda, que adota elementos do discurso anti-imigração, nasceu nesta terça-feira na Alemanha, onde o crescimento da extrema-direita está modificando o cenário político.

O movimento Aufstehen (De Pé), liderado por Sahra Wagenknecht, figura importante do partido de esquerda radical Die Linke, quer atrair os eleitores decepcionados com a esquerda tradicional, que recebeu menos de 40% dos votos nas eleições de 2017 e viu parte de seu eleitorado optar pelo partido de ultradireita Alternativa para a Alemanha (AfD).

Para seu projeto, Wagenknecht, de 49 anos, tem o apoio do marido, Oskar Lafontaine, ex-integrante do Partido Social-Democrata da Alemanha que foi ministro das Finanças de outubro de 1998 a abril de 1999, no governo do chanceler social-democrata Gerhard Schroeder. Lafontaine renunciou ao governo por oposição à guinada liberal de Schroeder. Mais tarde saiu do SPD e em 2007 fundou, ao lado de outros políticos, o partido Die Linke.

Sahra Wagenknecht, acostumada às posições heterodoxas en sua família política, apresentou ontem o movimento em Berlim. Ela não hesita em defender a memória da Alemanha Oriental ou a Rússia de Vladimir Putin, nem em criticar a União Europeia.

No momento, o Aufstehen, que afirma ter 85.000 simpatizantes registrados na internet, não tem a intenção de virar um partido político. De fato, o movimento tem dificuldades para atrair figuras da esquerda.

Em uma Alemanha na qual os eleitores de esquerda estão cada vez mais desconcertados com a coalizão entre o partido de centro-direita da chanceler Angela Merkel e os social-democratas, o novo movimento pretende recolocar os temas sociais no centro dos debates, sem ignorar a questão migratória.

Wagenknecht, uma das líderes da bancada do Die Linke no Parlamento, multiplica as críticas ao que considera “ingenuidade” da esquerda sobre a imigração.

Em 2016, após o atentado de Berlim reivindicado pelo Estado Islâmico, criticou a “abertura sem controle das fronteiras”. Também questionou o “direito à hospitalidade” que beneficiou muitas pessoas, na maioria da região do Magreb, que cometeram agressões sexuais em 31 de dezembro de 2015 em Colonia. / AFP

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