Alemanha, França e Itália são alguns dos que devem impedir acordo de Cameron com UE

Alemanha, França e Itália são alguns dos que devem impedir acordo de Cameron com UE

Premiê britânico deve aceitar as reformas oferecidas pela União Europeia para tentar convencer os britânicos a votarem a favor de sua manutenção no bloco

O Estado de S. Paulo

15 de fevereiro de 2016 | 10h59

BRUXELAS - O primeiro-ministro britânico, David Cameron, deve aceitar nesta semana, em uma cúpula em Bruxelas, as reformas oferecidas pela União Europeia (UE) para convencer os britânicos que votem a favor de sua manutenção no bloco.

No entanto, vários países como França, Alemanha, Itália, Grécia e os quatro do grupo de Visegrado (Hungria, Polônia, República Checa e Eslováquia) podem impedir o acordo. Veja abaixo os motivos para esse impedimento.

França

A França manifestou certas objeções a uma série de garantias prometidas a Londres para que os países que não pertencem à zona do euro se vejam desvinculados de uma maior integração monetária. Paris rejeitará qualquer medida que permita aos nove países que não adotaram a moeda única bloquear as decisões dos 19 membros da zona do euro.

"Não pode haver veto por parte dos países que não fazem parte da zona do euro", disse o presidente francês, François Hollande, especialmente quando Paris deseja continuar com a integração da União Econômica e Monetária (UEM).

A França solicitou algumas alterações no projeto de acordo do Presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk. Especificamente, Paris pressionou para incluir a referência de "cooperação leal" dos não membros da zona do euro, de acordo com um projeto de lei. Tusk se reunirá com Hollande em Paris nesta segunda-feira, 15.

Alemanha e norte da Europa

A chanceler alemã, Angela Merkel, que se mostra bastante solidária com seu colega conservador britânico, insiste no caráter imutável dos princípios fundamentais da UE. Contudo, o fato de que a Alemanha enfrenta uma crise sem precedentes de imigração poderia levá-la a também ter a capacidade de limitar benefícios sociais para a ajuda externa. Em 2015, mais de um milhão de imigrantes chegaram ao território alemão.

Qualquer sinal neste sentido por parte da Alemanha, ou outros países do norte europeu, como Suécia ou Dinamarca, poderia obrigar os países da Europa central e oriental a bloquear o acordo, segundo fontes europeias. Merkel se reunirá com Tusk na noite de terça-feira, em Berlim.

Itália

O primeiro-ministro italiano, Matteo Renzi, não deixou de enviar, nos últimos meses, seus dardos à Comissão Europeia. O último deles remonta a quarta-feira, quando disse que a "UE é como a orquestra tocando no Titanic".

Renzi realmente quer maior flexibilidade de Bruxelas e Berlim sobre os déficits orçamentais, a fim de estimular o crescimento ainda fraco em seu país. Além disso, também gostaria de jogar no primeiro nível, junto com França e Alemanha.

Roma vetou recentemente durante várias semanas o desbloqueio de 3 bilhões de euros que a UE prometeu à Turquia para melhorar as condições de vida dos refugiados sírios em troca da ajuda de Ancara para conter o fluxo de imigrantes na Europa. A Itália finalmente cedeu em 3 de fevereiro.

Embora nada impeça que Renzi seja mais uma vez o estraga prazeres da UE, Tusk não prevê visitar Roma antes da cúpula europeia que começa na quinta-feira.

Grécia

A Grécia, alvo de críticas do restante do bloco europeu por sua gestão da crise de refugiados e ainda atolada na crise da dívida, poderia tentar negociar algumas concessões em troca de sua aprovação do acordo com Londres.

A viagem do presidente do Conselho Europeu a Atenas para reunir-se na terça-feira com o primeiro-ministro Alexis Tsipras sugere que o líder da esquerda radical não está totalmente convencido e poderia usar alguma influência nos bastidores.

Os quatro de Visegrado

Os países do chamado grupo de Visegrado, formado por Polônia, Hungria, República Tcheca e Eslováquia, se mostram preocupados pela vontade do primeiro-ministro britânico de limitar os empréstimos sociais aos trabalhadores da UE que trabalham na Grã-Bretanha. Cada um destes quatro países do antigo bloco comunista tem centenas de milhares de cidadãos que foram trabalhar em território britânico no início dos anos 2000.

Estes países consideram "discriminatório" o pedido de Cameron de reduzir durante quatro anos os benefícios sociais para os cidadãos do bloco e, assim como as instituições europeias, estimam que se trata de um duro golpe contra o princípio fundamental da livre circulação.

Após as recentes visitas de Cameron à Europa central, Donald Tuskd deve reunir-se na terça-feira em Praga com o chefe do governo checo, Bohuslav Sobotka, que preside o Visegrado. Como a Romênia também expressou reservas ao acordo, o presidente do Conselho Europeu se reunirá nesta segunda-feira com o líder romeno, Klaus Iohannis, antes da cúpula europeia agendada para quinta-feira e sexta-feira em Bruxelas. /AFP

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