Christian Mang/Reuters
Christian Mang/Reuters

Alemanha abre parte do comércio em uma Europa que tenta conter pandemia de coronavírus

Governos de todo o mundo debatem como e quando suspender o confinamento, que mantém mais da metade da humanidade trancada em suas casas e paralisa a economia global; para Merkel, situação ainda é frágil

Redação, O Estado de S.Paulo

20 de abril de 2020 | 20h02

BERLIM - A Alemanha autorizou nesta segunda-feira, 20, a abertura de algumas lojas e a Noruega fez o mesmo com as creches, em uma Europa que começa a aliviar seu confinamento com prudência, graças aos primeiros sinais de contenção da pandemia de coronavírus

Governos de todo o mundo debatem como e quando suspender o confinamento, que mantém mais da metade da humanidade trancada em suas casas e paralisa a economia global, apesar de o número de mortos ainda ser alto, especialmente nos EUA, que ultrapassou os 40 mil mortos. 

Vários países como França (mais de 20 mil mortos), Espanha (21 mil) e Itália (mais de 24,1 mil) registram uma diminuição no número de contagiados e mortos, permitindo que os governos considerem as primeiras medidas de desconfinamento nas próximas semanas. 

Na Alemanha, com mais de 139 mil casos registrados e 4 mil mortes, a abertura da maioria das lojas com menos de 800 metros foi autorizada a partir desta segunda-feira, 20.

'Orgias de discussão'

A pandemia está "sob controle e é administrável", avaliou o ministro da Saúde, Jens Spahn. As medidas serão aplicadas de maneira diferente nas 16 regiões do país, e muitas empresas ainda permaneciam nesta segunda-feira em Berlim. 

Em Leipzig (leste), Manuel Fischer, proprietário de uma loja de roupas, disse estar "incrivelmente feliz" por poder reabrir. 

Centros culturais, bares, restaurantes, áreas de lazer e quadras esportivas ainda estão fechados. As escolas de ensino fundamental e médio reabrirão gradualmente a partir de 4 de maio. 

A instrução para respeitar uma distância mínima de um metro e meio em locais públicos ainda está em vigor e o uso de máscaras é "fortemente recomendado". 

A situação é "frágil", destacou a chanceler Angela Merkel, que na segunda-feira não escondeu sua raiva das "orgias de discussões" no país sobre um possível desconfinamento total e pelo crescente descumprimento, na sua opinião, das regras do distanciamento. 

"Estamos no início da pandemia e ainda estamos longe de ter deixado o pior para trás", alertou a chancelar, reconhecendo que uma "recaída seria lamentável". 

Essa estratégia de saída da crise na Alemanha, o motor econômico do continente, é observada de perto pelo resto de uma Europa confinada há um mês. 

Creches e escolas abertas

Na Noruega, onde a pandemia também parece estar sob controle, creches e escolas para crianças reabriram nesta segunda-feira após cinco semanas.

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Em uma creche ao norte de Oslo, as crianças ficaram felizes em encontrar seus amigos novamente. Os funcionários, por sua vez, desinfetavam regularmente os brinquedos.

Outros países europeus, como Áustria e Dinamarca, já haviam começado a flexibilizar suas restrições.

Retomada das atividades

O desafio de sair do confinamento é enorme: relançar a atividade e conter os riscos de multidões para impedir o ressurgimento do vírus.

Um sinal da urgência econômica causada pela pandemia é que o Banco da Espanha prevê para 2020 uma queda no PIB entre 6,6% e 13,6%, algo "sem precedentes na história recente". 

Enquanto isso, o petróleo dos Estados Unidos chegou a despencar nesta segunda-feira devido à saturação das reservas em plena desaceleração econômica.

"Vamos ter de aprender a conviver com o vírus", alertou o primeiro-ministro francês, Edouard Philippe. A França está considerando um desconfinamento a partir de 11 de maio, mas será muito gradual. 

Na Itália, onde nesta segunda-feira o número de pacientes caiu pela primeira vez, as primeiras medidas não serão adotadas até 3 de maio, mas aos poucos as empresas serão reabertas, mesmo que parcialmente e com muita cautela. 

 

No Reino Unido, o confinamento foi prolongado por pelo menos mais três semanas. Com mais de 16.500 mortes, é um dos países mais atingidos pela pandemia, apesar de nesta segunda-feira ter o menor número de mortes (449) em duas semanas.

Ramadã sombrio

Desde o seu surgimento em dezembro, em Wuhan, uma cidade no centro da China, a pandemia causou mais de 165 mil mortes em todo o mundo, de acordo com uma contagem da France-Presse feita a partir de fontes oficiais nesta segunda-feira. 

O Japão, por sua vez, já tem o maior número de casos na Ásia, depois de China e Índia, com mais de 10 mil contágios, apesar do estado de emergência. 

Nos Estados Unidos, onde o presidente Donald Trump pressiona por uma rápida recuperação da atividade econômica em contraposição a vários governadores democratas, o Estado de Nova York, epicentro da epidemia no país, anunciou que sua curva começa a ser "descendente".  

Os números, entretanto, continuam a subir. O patamar de 40 mil mortos foi rompido no domingo, segundo a Universidade Johns Hopkins. 

Em relação às críticas de Washington à demora na gestão da Organização Mundial da Saúde (OMS), o diretor-geral da instituição, Tedros Adhanom Ghebreyesus, defendeu suas ações na segunda-feira e afirmou que "lançamos o alerta desde o primeiro dia".

Em outras partes do mundo, o número de mortes também está subindo, ultrapassando a barreira de 2 mil na Turquia e mil na África. 

E depois da Páscoa cristã e judaica, o mundo muçulmano se prepara para um sombrio Ramadã, em um confinado Oriente Médio. "Nossos corações choram", lamentou o muezzin da Grande Mesquita de Meca, a cidade sagrada do Islã, que parece deserta. 

A América Latina, por sua vez, ultrapassou 100 mil casos e tem pouco mais de 5 mil mortes, segundo a contagem da France-Presse.

No México, o governo concordou com as autoridades americanas em prorrogar mais 30 dias, até 21 de maio, restrições ao tráfego terrestre "não essencial" na fronteira comum./AFP 

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