Alemanha acusa marroquino pelos ataques de 11 de setembro

A Justiça alemã acusou nesta quarta-feira o marroquino Munir El Motassadek de envolvimento nos atentados terroristas de 11 de setembro nos Estados Unidos. O procurador federal Kay Nehm prometeu fornecer mais detalhes sobre indiciamento nesta quinta-feira.Detido em 28 de novembro, El Motassadek admitiu ter "conhecido" o líder dos ataques, Mohammed Atta, e um estreito colaborador dele, Marwan Al Shehhi. O marroquino, de 28 anos, é o primeiro suspeito de conexão com os atentados, que deixaram mais de 3 mil mortos, a ser processado na Alemanha. Ele nega implicação na conspiração que, segundo investigadores norte-americanos, teria ganhado substância em território alemão - na chamada "Célula de Hamburgo".VizinhosO marroquino estudava engenharia elétrica desde 1995 na universidade de Hamburgo, a mesma freqüentada por Atta, 33 anos, e Al Shehhi, de 23, antes de irem para os Estados Unidos. Além disso, moravam em apartamentos próximos. E o marroquino confessou ter visitado Atta e Al Shehhi em várias ocasiões.Interrogado pela polícia alemã, Motassadek acabou reconhecendo que administrava uma conta bancária em Hamburgo em nome de Al Shehhi. Com o dinheiro da conta, Al Shehhi pagava as despesas em território norte-americano e recebia aulas de pilotagem de avião. Atta e Al Shehhi aprenderam a pilotar na Flórida, antes de partir para as missões terroristas suicidas.Mais trêsAs autoridades alemãs emitiram ordens de prisão contra outros três supostos implicados nos atentados que viveram em Hamburgo: Ramsi Binalshibh, Said Bahaji e Zakariya Essabar.Logo depois da prisão do marroquino no fim do ano passado, a polícia alemã descobriu que ele percorreu, em maio de 2001, as instalações da central nuclear que fornece energia elétrica a Hamburgo com colegas da universidade.Deportação ilegalO governo norte-americano agiu de forma ilegal ao promover centenas de audiências secretas sobre deportações, utilizando-se apenas do argumento de se tratava de casos de suspeitos de terrorismo, concluiu hoje um tribunal federal de apelações de Cincinnati. "As audiências foram profundamente antidemocráticas", disse o juiz Damon Keith. "A democracia morre atrás de portas fechadas", escreveu o magistrado.Essa foi a mais significativa sentença judicial contra a Casa Branca desde 11 de setembro. O presidente George W. Bush não decidiu ainda se vai recorrer a instância superior.

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