David Moir / Reuters
David Moir / Reuters

Alemanha anuncia que prisioneiro no país é suspeito no desaparecimento de Madeleine McCann

Homem de 43 anos é um criminoso sexual condenado várias vezes; na época do desaparecimento da menina, em Portugal, ele morava e trabalhava na região, onde também cometeu crimes

Redação, O Estado de S.Paulo

03 de junho de 2020 | 17h51
Atualizado 03 de junho de 2020 | 18h20

BERLIM - A polícia alemã anunciou nesta quarta-feira, 3, que está investigando um novo suspeito no desaparecimento da garota britânica Madeleine McCann em Portugal, em 2007, um caso que chocou a opinião pública europeia. A informação também foi confirmada pela polícia do Reino Unido. 

"Em conexão com o desaparecimento da garota britânica Madeleine Beth McCann (na época, com quase 4 anos) a promotora de Brunswick está investigando um cidadão alemão de 43 anos suspeito de assassinato", informou o Departamento Federal da Policía Criminal da Alemanha em comunicado.

O suspeito, cuja identidade não foi divulgada, é um homem branco que passou temporadas na região portuguesa do Algarve entre 1995 e 2007 e estava "conectado com a área" da Praia da Luz, onde a menor desapareceu.

De acordo com o departamento, o homem em questão já foi condenado várias vezes por crimes sexuais, incluindo abuso de menores, e realizou trabalhos ocasionais no setor de hotelaria no Algarve, mas possivelmente também se financiava com roubos em hotéis e apartamentos turísticos e tráfico de drogas.

Há um ano, a imprensa alemã divulgou que um cidadão alemão condenado pelo assassinato de três crianças era o novo alvo das investigações do caso. O homem já havia sido identificado como suspeito em 2011 pela Scotland Yard, mas sua relação com o caso foi afastada pois seu alvo principal eram crianças de sexo masculino. As autoridades ainda não confirmaram se se trata da mesma pessoa. 

Ao longo de 13 anos, o caso da pequena Madeleine deu muitas voltas e causou grande decepção. Centenas de pessoas foram interrogadas, tanto pela polícia portuguesa como pela Scotland Yard.

Madeleine McCann desapareceu de seu quarto em 3 de maio de 2007, alguns dias antes de seu aniversário de 4 anos, em um prédio de apartamentos na costa da Praia da Luz, no sul de Portugal, onde passava as férias com a família. Ela dormia no quarto com os irmãos gêmeos mais novos. 

Os pais da menina, Gerry e Kate McCann, foram detidos e depois soltos durante a investigação, que terminou com a demissão do inspetor-chefe português encarregado do caso. Depois de encerrado em 2008, a polícia portuguesa reabriu o caso cinco anos mais tarde, sem sucesso.

Veículos suspeitos

A equipe da Scotland Yard que comanda a operação que busca pistas da menina desde 2011 colaborou com as autoridades alemãs para encontrar o suspeito e identificou dois veículos que o homem pode ter utilizado no momento do desaparecimento.

Um desses veículos é uma van Volkswagen T3 do início dos anos 80, de cores branca e amarela e com placa portuguesa. A polícia acredita que o homem "teve acesso" ao veículo pelo menos de abril de 2007 até maio do mesmo ano. 

O suspeito teria morado no veículo durante dias, talvez semanas, e pode tê-lo utilizado em 3 de maio de 2007, o dia do desaparecimento da menina.

A polícia britânica chegou a ouvir possíveis testemunhas que viram este veículo na região do Algarve naquela noite de maio, nos dias anteriores ou semanas depois.

O segundo veículo é um Jaguar modelo XJR 6, de 1993, com placa alemã, que pode ter sido conduzido na Praia da Luz e em áreas próximas entre 2006 e 2007, originalmente registrado no nome do suspeito. Em 4 de maio de 2007, um dia após o desaparecimento de Madeleine, o veículo foi registrado com outro nome na Alemanha.

Os investigadores ressaltam que para alterar o registro não é necessário que o veículo esteja fisicamente presente no país, mas acreditam que, naquela altura, o carro ainda estava em Portugal.

Os pais da menina expressaram no comunicado policial as "boas-vindas" ao novo passo aberto na investigação do caso. "Queremos agradecer às forças policiais envolvidas pelos seus esforços contínuos em busca de Madeleine. Tudo o que sempre quisemos foi encontrá-la, descobrir a verdade e levar os responsáveis à justiça. Nunca perderemos a esperança de encontrar Madeleine viva, mas, seja qual for o resultado, precisamos saber e precisamos encontrar a paz", disseram. /AFP e EFE

 

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