EFE/EPA/Maja Hitij / POOL
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Para conter vírus, Alemanha fecha comércio não essencial e escolas até 10 de janeiro

Endurecimento de medidas de restrição de circulação de pessoas passa a valer a partir desde 16 de dezembro; país está em bloqueio parcial há seis semanas

Reuters, O Estado de S.Paulo

13 de dezembro de 2020 | 08h30
Atualizado 14 de dezembro de 2020 | 19h40

 BERLIM - A Alemanha vai fechar a maioria do comércio não essencial na próxima quarta-feira, 16, e mantê-lo fechado até, pelo menos, 10 de janeiro, interrompendo a temporada de compras de Natal em uma luta para tentar conter a propagação da doença, disse a chanceler Angela Merkel neste domingo, 12.

“Devido às compras de Natal, o número de contatos sociais aumentou consideravelmente”, disse a chanceler após uma reunião com líderes dos 16 Estados federais do país mais populoso da Europa. "Há uma necessidade urgente de agir".

Apenas lojas essenciais, como supermercados, farmácias e bancos, devem permanecer abertas entre 16 de dezembro e 10 de janeiro. A venda de fogos de artifício será proibida com vistas à festa do ano-novo. Salões de beleza e estúdios de tatuagem também terão que fechar.

O governador da Baviera, Markus Soeder, disse que a proibição de fogos de artifício ocorreu após apelos de hospitais que não seriam capazes de tratar o grande número de graves lesões que resultam de explosivos mal manuseados todos os anos. “O isolamento ‘light’ teve um impacto, mas não foi suficiente”, disse Soeder. “A situação está fora de controle”. 

As reuniões privadas permanecerão limitadas a não mais do que cinco pessoas oriundas de duas casas diferentes. Para o Natal, a regra será flexibilizada para que as famílias possam comemorar juntas. Reuniões públicas ao ar livre na véspera do ano-novo estão vetadas. Merkel e Soeder afirmaram que é muito cedo para dizer se a economia poderá reabrir após o dia 10 de janeiro. 

Avanço do vírus

Novas infecções diárias e o número de mortes atingiram recordes nos últimos dias na Alemanha. Maior economia da Europa, o país teve mais sucesso do que muitos países do continente na tarefa de manter a pandemia sob controle na primeira onda, em março e abril. Mas tem encontrado dificuldade na segunda onda.

O número de novas infecções diárias se aproximou de 30 mil na sexta e no sábado. O recorde de mortes em apenas um dia foi na quinta, com 598. A Alemanha tem agora 1.320.716 infectados, segundo o Instituto Robert Koch (RKI). O número de mortes chegou a 21.787. 

Os empregadores serão encorajados a permitir que os funcionários trabalhem em casa, sempre que possível, nas próximas semanas. Os serviços religiosos serão permitidos, desde que as regras de distanciamento sejam respeitadas e máscaras sejam usadas. Os cantos foram proibidos. 

O ministro das Finanças, Olaf Scholz, disse que o governo fornecerá apoio financeiro às empresas afetadas pela mudança - segundo o plano, o comércio obrigado a fechar deve receber até 90% dos recursos - ou até 500 mil euros (R$ 3 milhões) por mês - para manutenção dos custos fixos. 

A agência de notícias alemã Deutsche Presse-Agentur (DPA) informou que o valor estimado pelo governo para a medida é de 11,2 bilhões de euros (R$ 68,7 bilhões).

A Alemanha está em bloqueio parcial há seis semanas, com bares e restaurantes fechados, enquanto lojas e escolas permaneceram abertas. Algumas regiões já impuseram medidas mais duras à medida que as infecções aumentaram. 

Opositores das medidas de restritivas, no entanto, têm protestado regularmente em algumas cidades alemãs como Berlim. No sábado, a polícia de Frankfurt e de Dresden barrou os atos. Em Frankfurt, foram usados canhões de água para dispersar a multidão no centro da capital financeira da Alemanha. 

O Estado de Baden-Württemberg, que fica no sudoeste e tem 11 milhões de habitantes, impôs um toque de recolher no sábado com validade até 10 de janeiro. Com isso, as pessoas só poderão sair de casa para trabalhar e fazer consultas médicas. Também durante a semana, o Estado de Schleswig-Holstein, ao norte e com 2,8 milhões de habitantes, reduziu o limite para reuniões em espaços públicos e privados de dez para cinco pessoas. 

Na Saxônia, com 4 milhões e situada no leste, a situação de saúde se deteriorou tanto que as autoridades anunciaram o fechamento de escolas, creches e várias lojas ainda no início da semana.

Extrema direita e pandemia 

Nesta semana, o Instituto para a Democracia e Sociedade Civil, com sede em Jena, na Turíngia, lançou um estudo sobre "a correlação estatística forte e muito significativa" entre a votação na AfD (Alternativa para a Alemanha), o principal partido de extrema direita da Alemanha, e a intensidade da pandemia. 

A AfD é o único partido que tornou público seu ceticismo e até mesmo sua oposição às restrições. Seus deputados estavam relutantes no Parlamento em usar máscara. Mais de um em cada dois eleitores da AfD (56%) considera as medidas restritivas excessivas, de acordo com uma pesquisa recente do Instituto Forsa. E há muitas conexões com o movimento alemão "livre-pensadores", que reúne uma mistura de críticos da vacina, conspiradores e simpatizantes de extrema direita em manifestações. 

Cerca de um terço desses manifestantes gostaria de votar no AfD nas eleições de 2021, revelou um estudo para o tradicional jornal Frankfurter Allgemeine Zeitung. “Pode haver fatores que explicam os altos resultados do AfD e, ao mesmo tempo, altos valores de incidência”, escreveu no Twitter o diretor do instituto, Matthias Quent.

Ele alertou que esse não é o único fator explicativo. A proporção de idosos e famílias numerosas, a presença de trabalhadores de outros países e a organização do sistema de saúde, que difere de Estado para Estado, também influenciam o dinamismo da pandemia.  / AFP, AP e Reuters

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