Alemanha decide amanhã participação na guerra

Até esta noite ainda subsistiam dúvidas sobre se o primeiro-ministro alemão Gerhard Schröder conseguirá obter amanhã a aprovação da moção de confiança por ele apresentada ao Bundestag (o Parlamento) e relacionada à sua proposta para o envio de tropas alemãs ao Afeganistão. O governo social-democrata de Schröder não sobreviverá caso o parlamento rejeite a moção e, conseqüentemente, a proposta sobre a participação militar alemã na luta contra o terrorismo islâmico com um custo avaliado em US$ 226 milhões.Neste caso, umas das primeiras conseqüências em relação à cooperação política, econômica e cultural da Alemanha com a America Latina, será a anulação da visita oficial que o primeiro-ministro Schröder deveria fazer ao Brasil em fevereiro próximo. Entretanto, segundo as últimas previsões das lideranças partidárias, o primeiro-ministro tem boas chances de alcançar a maioria absoluta de 334 votos (num total de 666) pois as defecções não deverão ultrapassar a conta de 5. Com 7 votos contra, dentro de seu esquema parlamentar, Schröder terá seu governo dissolvido."Pura chantagem", é assim que a presidente do Partido Verde, Claudia Roth, em reiteradas declarações públicas, qualifica a relação feita pelo chefe do governo entre a moção de confiança e a proposta de ajuda militar para o combate ao terrorismo.Por sua vez, detentora de 325 cadeiras no Bundestag, a oposição democrata-cristã, que se havia prontificado a apoiar a cooperação militar, acabou se declarando contra a iniciativa, mas antes de o chefe do governo atrelá-la à moção de confiança. "Não podemos, portanto, ser acusados de coveiros do governo", é explicação da deputada Angela Merkel, presidente do maior partido oposicionista (CDU).Nem mesmo o fato de o governo destinar simultaneamente créditos num valor superior a US$ 200 milhões para ajuda humanitária às vitimas da guerra e para as primeiras obras de reconstrução do Afeganistão conseguiu sensibilizar os grupos religiosos da oposição no Parlamento.Falando à Agência Estado por telefone, de Bruxelas, o deputado Daniel Cohn-Bendit, antigo representante dos "verdes" alemães no Parlamento Europeu (onde lidera agora a bancada ecologista francesa) declarou-se confiante na sobrevivência do governo Schröder e lembrou as intensas articulações que o chanceler "verde" Joschka Fischer está realizando para evitar defecções entre seus correligionários na hora da votação.Amigo de Cohn-Bendit desde os tempos da contestação estudantil em Frankfurt, Fischer é hoje o político mais popular da Alemanha. Ele foi um dos mais maiores entusiastas do projeto de Schröder para o envio ao Afeganistão de 3900 soldados, além de aviões e outros equipamentos militares.Leia o especial

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