Alemanha determinará data em 2009 para reforma da UE

A Alemanha, atual ocupante da Presidência rotativa da União Européia (UE), fixará para o bloco um prazo de dois anos para modernizar suas instituições quando líderes dos 27 países-membros reunirem-se neste final de semana em Berlim para celebrar os 50 anos da entidade. Uma cópia da "Declaração de Berlim" a ser divulgada no domingo promete dar à UE uma "renovada base comum" até 2009 - expressão que, segundo espera o governo alemão, servirá de indício para o comprometimento do bloco em reformar suas estruturas adotando uma nova Constituição. "Hoje, 50 anos após a assinatura do Tratado de Roma, concordamos com o objetivo de posicionar a União Européia em uma nova fundação conjunta pelas eleições do Parlamento Europeu em 2009", diz o esboço final. Mas o documento não faz nenhuma menção específica sobre a adoção de um novo tratado e evita palavras de efeito como "ampliação", o que reflete as profundas desavenças surgidas dentro dele a respeito de como avançar depois de meio século da assinatura do pioneiro Tratado de Roma. CelebraçõesEm um sinal dessas desavenças, autoridades alemãs disseram que a primeira-ministra alemã, Angela Merkel, viu-se obrigada a telefonar para dirigentes da República Tcheca, nesta sexta-feira, a fim de garantir o apoio deles ao texto, elaborado após meses de consultas. Em uma entrevista divulgada nesta sexta-feira pela BBC, o presidente tcheco, Vlaclav Klaus, descreveu a declaração como um "discurso europeu de caráter orwelliano". Mas tanto ele quanto o primeiro-ministro tcheco, Mirek Topolanek, concordaram em aceitar o texto. Merkel pretende usar a cúpula de Berlim, de caráter predominantemente cerimonial, para dar impulso aos esforços de sedimentar a unidade européia. Celebrações devem acontecer em toda a Europa, entre as quais dois dias de festa de rua, exposições em museus durante toda a noite e clubes noturnos funcionando 24 horas na antes dividida capital alemã, centro da Guerra Fria. Merkel prometeu elaborar, antes da cúpula da UE em junho, um "mapa do caminho" para retomar as discussões sobre a nova Constituição, rejeitada pelos eleitores franceses e holandeses em 2005. Enquanto as festas continuam, o primeiro-ministro da Itália, Romano Prodi, afirmou que a UE ainda poderia fracassar e argumentou que a vitória do "não" na França e na Holanda havia provocado muita incerteza sobre o futuro do bloco. Segundo Prodi, os cidadãos da UE estão ansiosos há dois anos porque, depois da rejeição francesa e holandesa, perceberam que o projeto europeu não atingiu um caráter definitivo. "A Europa ainda pode fracassar", disse. Os tchecos descartam qualquer prazo para a assinatura de um novo tratado. Já a Polônia, também dominada atualmente por eurocéticos, deseja reabrir as discussões sobre a reforma do sistema de votação do bloco.

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