EFE/EPA/SEDAT SUNA
EFE/EPA/SEDAT SUNA

Alemanha diz que Turquia terá sua entrada na UE proibida se instaurar pena de morte

Vice-porta-voz do governo alemão afirmou que ‘não há lugar na Europa’ para um país que adota a pena capital

O Estado de S.Paulo

08 Agosto 2016 | 11h08

BERLIM - O governo alemão reiterou nesta segunda-feira, 8, que a Turquia não poderá entrar na União Europeia (UE) se reintroduzir a pena de morte, como voltou a indicar no domingo o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan.

A vice-porta-voz do governo alemão, Ulrike Demmer, destacou em uma coletiva de imprensa que “não há lugar na Europa para um país que aplica a pena de morte” e lembrou que as conversas com Ancara para sua entrada no bloco europeu está com um “final em aberto”.

A vice-porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Shawsan Chebli, afirmou que as negociações entre Bruxelas e Ancara serão dadas como resolvidas se a Turquia reintroduzir a pena capital. “Se a Turquia introduzir a pena de morte, isso acarretará o fim das negociações”, afirmou Shawsan.

Desde a tentativa de golpe em julho, Erdogan tem sinalizado em várias ocasiões sua intenção de recorrer à pena capital para castigar os líderes da ação. A União Europeia já enfatizou diversas vezes que a pena de morte é incompatível com o direito comunitário.

No domingo, Erdogan disse em um comício para mais de um milhão de pessoas em Istambul que aprovará a pena de morte no país se o Parlamento votar o assunto, e reiterou que a rede liderada pelo clérigo muçulmano Fethullah Gulen, opositor exilado nos Estados Unidos e a quem o líder turco culpa pela tentativa de golpe, precisa ser destruída dentro do escopo da lei.

Imigração. O acordo migratório da Turquia com a União Europeia pode desmoronar se o bloco não cumprir sua parte do acordo quanto à dispensa de vistos, disse Erdogan ao jornal francês Le Monde. Os comentários refletem uma mudança de posição em um momento no qual o líder critica os países ocidentais por sua reação à tentativa de golpe de Estado. Ainda no dia 26 de julho, Erdogan havia prometido manter os compromissos da Turquia com o acordo migratório.

"A União Europeia não está se comportando de maneira sincera com a Turquia", afirmou Erdogan em declarações publicadas pelo Le Monde nesta segunda-feira, destacando que a dispensa de vistos para cidadãos turcos deveria ter entrado em vigor no dia 1º de junho. "Se nossas exigências não forem satisfeitas, as reentradas não serão mais possíveis", disse.

Em março, a Turquia concordou em receber de volta imigrantes ilegais que cruzem de seu solo para a Grécia em troca da retomada da ajuda financeira, da promessa de dispensa de vistos para a maior parte da UE e da aceleração das conversas sobre a filiação de Ancara ao bloco. Mas a liberação recíproca de vistos vem sendo adiada em razão de uma desavença sobre a legislação antiterrorismo turca e as preocupações do Ocidente com a escala da repressão de Ancara após o golpe fracassado. / EFE e Reuters

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