Alemanha e França apresentam plano para abrigar crianças migrantes após incêndio na Grécia

Bloco deve receber ao menos 400 menores que moravam no acampamento de Moria

Redação - O Estado de S.Paulo

ILHA DE LESBOS - A chanceler alemã Angela Merkel e o presidente francês Emmanuel Macron concordaram em propor à União Europeia um plano para receber cerca de 400 migrantes menores de idade que ficaram desabrigados após o incêndio no acampamento de Moria, na Grécia, informaram fontes próximas à iniciativa nesta quinta-feira, 10. O plano foi apresentado oficialmente por Merkel, cujo país atualmente preside a UE.

"A Alemanha e a França vão participar. Espero que outros Estados-membros também participem", disse Merkel ao anunciar a iniciativa durante uma coletiva de imprensa em Berlim. 

De acordo com a chanceler alemã, o drama no campo de Moria deveria obrigar os países da UE a "finalmente" alcançar uma política migratória comum, que atualmente "não existe".  A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, disse que a UE está "pronta a ajudar". 

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Milhares de refugiados aguardavam ajuda nas estradas da ilha de Lesbos nesta quinta-feira. O campo, que abrigava 12.700 solicitantes de refúgio – um número quatro vezes acima da sua capacidade – pegou fogo na madrugada da última quarta-feira, 9. Cerca de 4 mil crianças moravam no local.

Várias famílias passaram a segunda noite consecutiva nas ruas, sem produtos de primeira necessidade. Uma balsa chegou à ilha, onde foi declarado estado de emergência, para abrigar os migrantes, e dois navios da Marinha grega seguiam até a localidade para aumentar a capacidade de acolhida.

Lesbos, ilha do Mar Egeu com 85 mil habitantes, é a principal porta de entrada para os migrantes na Grécia por sua proximidade da Turquia.

Campo abrigava 12.700 demandantes de refúgio, número quatro vezes acima de sua capacidade; entre eles, estavam 4 mil crianças e adolescentes Foto: Alkis Konstantinidis/REUTERS

"Abandonados"

Alguns dos desabrigados seguiram para os olivais próximos. Outros caminhavam até as localidades vizinhas em busca de água.

"Perdemos tudo", lamenta a síria Fatma Al-Hani, na estrada que vai de Moria ao pequeno porto de Panagiouda."Estamos abandonados à nossa própria sorte, sem comida, água, sem medicamentos", afirma, com o filho de dois anos no colo.

"O que vamos fazer agora? Para onde vamos?", perguntou Mahmut, do Afeganistão. Ao seu lado, a compatriota Aisha procurava os filhos: "Dois estão ali, mas não sei onde estão os outros".

Cornille Ndama, uma congolesa, também fugiu de Moria durante a noite. "Perdemos tudo. Não tenho nada, nada aqui, e não sabemos onde vamos dormir".

Um novo incêndio foi registrado na quarta à noite em uma parte do campo de migrantes que não havia sido atingida pelas chamas de terça-feira.

"Não temos informações sobre vítimas, feridos, ou desaparecidos", afirmou o ministro da Migração da Grécia, que elogiou a "rápida intervenção" dos bombeiros e da polícia.

Os habitantes da região e as autoridades não querem a instalação provisória de barracas fora do campo. 

"Um problema europeu"

A Áustria não parece concordar com a proposta da UE. "Se esvaziarmos o campo de Moria, o local vai lotar de novo, imediatamente", disse o ministro das Relações Exteriores, Alexander Schallenberg.

A presidenta grega, Katerina Sakellaropoulou, pediu à UE que "não feche os olhos" pra a tragédia. "Os refugiados são, antes de mais nada, um problema europeu", afirmou em um comunicado.

O primeiro-ministro grego, Kyriakos Mitsotakis, atribuiu a origem do desastre às "reações violentas contra os controles de saúde" organizados desde a semana passada, após a detecção de 35 casos do novo coronavírus no acampamento.

O primeiro caso de coronavírus foi detectado em Moria na semana passada, e o espaço foi imediatamente colocado em isolamento por 15 dias.

Para a Cruz Vermelha, retirar os milhares de migrantes da ilha "é um imperativo humanitário".

"Na Grécia é urgente deslocar os migrantes das ilhas para o continente", declarou o presidente da Federação Internacional de Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho, Francesco Rocca. /AFP

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