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Alemanha oferece recompensa de € 100 mil por informações que levem até suspeito de ataque

Segundo ordem de captura internacional, Anis Amri, de 24 anos, que entrou em 2015 no país e teve seu pedido de refúgio rejeitado, é considerado perigoso

O Estado de S.Paulo

21 Dezembro 2016 | 12h22
Atualizado 21 Dezembro 2016 | 21h19

BERLIM - A polícia alemã emitiu nesta quarta-feira uma ordem de prisão internacional para o tunisiano Anis Amri, de 24 anos, oferecendo uma recompensa de 100 mil euros por informações que levem à sua captura.

Anis Amri foi identificado como um jovem tunisiano que teve seu pedido de asilo na Alemanha negado. Ele é procurado em toda a Europa como suspeito de ter lançado o ataque com um caminhão contra um mercado natalino em Berlim na segunda-feira, matando 12 pessoas e deixando 50 feridas – 12 em estado grave. O primeiro efeito do ataque na rotina dos alemães será a derrubada de restrições à vigilância em vídeo.

A ordem de prisão internacional além de identificar suspeito, diz que ele tem um histórico de fornecer nomes e nacionalidades falsas, é considerado perigoso e estaria armado. O grupo Estado Islâmico (EI) reivindicou a autoria do ataque, um dos piores atos terroristas na Alemanha em décadas.

As agências de notícia alemãs disseram que o jovem teria ligações com Abu Walaa, um iraquiano salafista de 32 anos que foi preso no mês passado na Alemanha, acusado de recrutar jihadistas dispostos a lutar pelo EI. 

Um documento de identidade encontrado em uma carteira no chão do caminhão levou as autoridades a procurar o tunisiano, disse Frank Tempel, do Partido de Esquerda. O documento indica que ele havia recebido autorização para permanecer temporariamente na Alemanha. O pai de Amri disse a uma rádio que ele deixou a Tunísia sete anos atrás e ficou quatro anos preso na Itália sob a acusação de ter incendiado uma escola. Também foi condenado, à revelia, a 5 anos de prisão na Tunísia por roubo violento. 

As revelações ampliam a pressão contra a chanceler Angela Merkel, que decidiu no ano passado receber quase 1 milhão de refugiados na Alemanha. Não está claro se o tunisiano é realmente o autor do atentado, mas o fato de as autoridades estarem buscando alguém que enfrentou a deportação meses atrás é “ultrajante”, disse Stephan Mayer, porta-voz do bloco conservador no Parlamento, que inclui a União Democrata Cristã de Merkel.

Segundo registros, Amri entrou na Itália em 2012, viajou para a Alemanha em julho de 2015, apresentou um pedido de refúgio em abril e recebeu documentos que autorizavam sua permanência no país temporariamente. Ele viveu durante um período em uma casa destinada a solicitantes de asilo e em Berlim.

O ministro do Interior da Renânia do Norte-Westfália, Ralf Jäger, disse que promotores federais estiveram vigiando o tunisiano por suspeita de que ele poderia estar planejando um ataque. Quando ele se mudou para Berlim, em fevereiro, as autoridades do Estado começaram a investigá-lo.

 

O tunisiano deveria ter sido deportado em junho, mas como não tinha passaporte válido e a Tunísia inicialmente não reconheceu que ele era seu cidadão, não foi possível enviá-lo para casa. Somente na quarta-feira a Tunísia emitiu um passaporte.

Mayer, o parlamentar, disse que o tunisiano passou um dia em custódia esperando a deportação, mas como as autoridades não conseguiram confirmar sua identidade, ele foi solto. “Essa é uma pessoa aparentemente conhecida por ser potencialmente perigosa e deveria ter sido deportada”, disse Mayer.

Em agosto, Amri foi preso na cidade de Friedrichshafen com um falso documento italiano, mas foi libertado em seguida, disse um funcionário da Justiça que pediu anonimato. O centro de coordenação antiterrorismo, a polícia e o serviço secreto da Alemanha haviam trocado informações sobre ele pela última vez em novembro.

Vários dos homens envolvidos nos atentados de novembro de 2015 em Paris, em Bruxelas em março, e em Nice em julho eram de origem tunisiana. Os tunisianos também representam um dos maiores grupos de jihadistas estrangeiros na Síria e na Líbia e tiveram papéis de liderança na estrutura do Estado Islâmico. 

A Alemanha vai permitir o aumento da vigilância em vídeo em locais públicos, definiu uma nova lei aprovada ontem, refletindo o medo após o ataque em Berlim. A proposta, que havia sido acertada por partidos da coalizão de Merkel no mês passado, foi finalmente votada. Segundo a nova legislação, serão derrubadas restrições a gravações em ruas e locais como shoppings, estacionamentos e ginásios esportivos. Também foi aprovada uma medida que permite a policiais usarem câmeras de corpo. / NYT

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