Michael Kappeler/AP
Michael Kappeler/AP

Alemanha encerra investigação de suposto grampo americano em celular de Merkel

Segundo Ministério Público alemão, nem a comissão parlamentar que investiga o caso nem os documentos de Edward Snowden provam 'de forma conclusiva' que houve espionagem

O Estado de S. Paulo

12 de junho de 2015 | 10h59

BERLIM - O Ministério Público da Alemanha encerrou uma investigação de um ano sobre o suposto grampo do telefone celular da chanceler alemã, Angela Merkel, por espiões americanos, dizendo haver falta de provas que se sustentassem nos tribunais.

"Claro que vimos uma possibilidade (de provar as escutas), caso contrário não teríamos aberto o caso e não teríamos investigando-o durante mais de um ano", afirmou o procurador-geral Harald Range. 

Nem os documentos da comissão parlamentar que investiga o caso, nem as informações das autoridades são suficientes para manter a investigação o MP aberta, disse Range. O procurador, porém, afirmou que o departamento está disposto a iniciar uma nova investigação no futuro caso novos indícios possam levar a provas que atestem a espionagem.

Ao deixar de lado a investigação de um caso que provocou tensão entre a Alemanha e os Estados Unidos, o MP disse que não pôde encontrar provas que apoiassem as alegações do ex-prestador de serviços da Agência de Segurança Nacional (NSA) dos EUA Edward Snowden de que o telefone de Merkel estava grampeado.

"As acusações feitas não iriam se sustentar em corte com os meios disponíveis para os processos penais", disse o gabinete da procuradoria federal em Karlsruhe, em comunicado. Ainda de acordo com a procuradoria, os documentos divulgados por Snowden não provam de forma conclusiva que as supostas escutas contra a chanceler alemã ocorreram.

O porta-voz de Merkel, Steffen Seibert, não quis comentar a decisão da procuradoria. "O procurador federal tomou sua decisão", disse. "Iniciar ou suspender uma investigação são passos de responsabilidade  unicamente do procurador-geral e não devem ser comentados pelo governo."

Os dois países têm se desentendido sobre a forma de espionagem da NSA desde que as revelações de Snowden, no ano passado, indicaram que os EUA haviam feito escutas de telefones de vários líderes aliados, incluindo Merkel.

O anúncio em junho do ano passado da abertura de uma investigação contra os serviços secretos americanos por terem grampeado o celular de Merkel aconteceu poucas horas de uma reunião entre a chanceler e o presidente americano, Barack Obama, na cúpula do G7 de 2014 em Bruxelas. O próprio Obama se desculpou com Merkel na ocasião e garantiu à chanceler que não voltariam a acontecer. / REUTERS e EFE

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