Alemanha frustra atentados a bomba

Três islâmicos que planejavam atacar base dos EUA e aeroporto de Frankfurt são presos com 700 kg de material químico

AP, EFE e REUTERS, O Estadao de S.Paulo

07 de setembro de 2006 | 00h00

Berlim - A polícia alemã anunciou ontem ter conseguido impedir atentados terroristas no país ao prender, na véspera, três integrantes de um grupo islâmico ligado à rede terrorista Al-Qaeda. Os três suspeitos - dois alemães convertidos ao Islã e um cidadão turco, com idades entre 21 e 28 anos - compartilhavam ódio aos Estados Unidos e tinham como objetivo atacar o Aeroporto de Frankfurt (um dos mais movimentados da Europa) e a base americana de Ramstein, além de lugares freqüentados por americanos no país, como discotecas e bares. Com eles, foram apreendidos mais de 700 quilos de material para a fabricação de bombas.A promotora federal Monika Harms afirmou que mais de 300 agentes policiais estiveram envolvidos na investigação, que durou nove meses. "Conseguimos identificar e prevenir explosões maciças", disse Monika. Os detidos tinham em seu poder 12 barris de peróxido de hidrogênio - material utilizado na fabricação de explosivos -, detonadores e utensílios eletrônicos. Com esses materiais seria possível cometer um atentado ainda mais devastador do que os que mataram 191 pessoas nos trens de Madri, em 2004, e deixaram 52 mortos no metrô de Londres, em 2005.A polícia alemã afirmou que, misturando corretamente os mais de 700 quilos de material químico apreendido, seria possível fazer uma bomba com o poder de explosão equivalente a 500 quilos de dinamite. Para se ter uma idéia do tamanho do estrago que a explosão causaria, nos atentados de Londres foram usados cerca de quatro quilos de dinamite.A Procuradoria alemã identificou os suspeitos como Fritz G., de 28 anos, Adem Y., de 28 anos, e Daniel S., de 21 anos, e afirmou que os três receberam treinamento terrorista em um acampamento no Paquistão, no ano passado. Eles foram presos em uma casa na cidade de Oberschledorn, centro da Alemanha, quando manipulavam o material para preparar os explosivos. Um deles ainda tentou fugir pela janela. Os três pertenciam a um pequeno grupo sunita chamado União Jihad Islâmica, organização filiada à Al-Qaeda com raízes no Usbequistão. Os suspeitos chamaram a atenção das autoridades no último ano-novo, quando foram vistos nas proximidades da base americana de Hanau, próximo a Frankfurt.O chefe da Agência Federal de Investigação Criminal da Alemanha, Jorg Ziercke, afirmou que a intenção do grupo de atacar a base de Ramstein e o aeroporto de Frankfurt foi confirmada por meio de ligações grampeadas pela polícia. "Eles (os suspeitos) estavam motivados pelo ódio aos EUA e isso os influenciava na escolha dos alvos." Ziercke afirmou que, desde a prisão dos suspeitos, mais de 40 casas foram revistadas em todo o país.Em Washington, o porta-voz do Conselho Nacional de Segurança, Gordon Johndroe, afirmou que o presidente americano, George W. Bush, parabenizou o trabalho da polícia alemã. O FBI procurou tranqüilizar os cidadãos americanos, dizendo que a descoberta do possível ataque na Alemanha não apresentava uma "ameaça iminente" em território dos EUA.A chanceler alemã, Angela Merkel, agradeceu às forças de segurança por conseguirem frustrar os ataques e classificou a operação como "um grande sucesso". "O perigo terrorista, inclusive em nosso país, não é abstrato, e sim real", afirmou.O egípcio Mohamed Atta, considerado o líder do esquadrão suicida dos ataques de 11 de setembro de 2001, liderava uma célula da Al-Qaeda em Hamburgo. Desde então, pelo menos sete planos de atentados foram descobertos na Alemanha. O fato de dois alemães nativos terem sido presos dessa vez é preocupante porque evidencia atos de terrorismo planejados por cidadãos do país.Atualmente, cerca de 3 milhões de muçulmanos moram na Alemanha. Segundo o jornal britânico The Times, a polícia alemã tem uma lista com 890 muçulmanos que representam algum perigo para o país . O Ministério do Interior alemão garantiu que o país respeitará o Islã na caçada aos terroristas.HISTÓRICOA União Jihad Islâmica (UJI) é uma organização terrorista que luta contra o governo secular do Usbequistão e quer estabelecer um Estado islâmico no paísO grupo, fundado em 2004, é uma dissidência do Movimento Islâmico do Usbequistão (MIU), que também atua no paísEm 2005, os EUA incluíram a UJI na lista de grupos terroristasNos anos 90, a maior parte do grupo fugiu para o Afeganistão e para o Paquistão para escapar da repressão do governo usbequeAté hoje, o pior ataque da UJI foi registrado em março de 2004, quando bombas mataram 47 pessoas na cidade de Bukhara e em Tashkent, capital usbequeApesar de ativo, a UJI não realizou nenhuma operação terrorista desde 2004Em julho de 2004, em sua última ação, a UJI explodiu bombas nas Embaixadas de EUA e Israel, em Tashkent, matando 2 pessoas

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