Christophe Gateau / dpa / AFP
Christophe Gateau / dpa / AFP

Alemanha investiga possível seita por trás de mortes misteriosas com armas medievais

Cinco pessoas, fãs do mundo medieval e de alquimia, foram encontradas mortas, algumas vítimas de flechas disparadas por uma besta

Redação, O Estado de S.Paulo

14 de maio de 2019 | 11h22
Atualizado 14 de maio de 2019 | 17h45

MUNIQUE, ALEMANHA - A polícia da Alemanha investiga uma pista envolvendo uma seita para explicar a morte misteriosa de cinco pessoas, algumas delas vítimas de flechas disparadas por uma besta, que provavelmente se conheciam e eram fãs do mundo medieval e de alquimia.

Um dos mortos, Torsten W., um homem de 53 anos encontrado com flechas no crânio e no corpo, tinha uma loja de objetos medievais em Hachenburg, no oeste do país, chamada "Milites Conductius" ("conduta de soldado", em latim).

Na loja ele vendia punhais, espadas, capacetes de armadura e hidromel, uma das primeiras bebidas alcoólicas conhecidas. A vítima, que tinha uma longa barba branca, também organizava sessões de combate com espadas. Em um dos braços tinha tatuagens de símbolos de alquimia, uma prática medieval.

Os investigadores tentam determinar se os clientes habituais da loja estão envolvidos nas mortes e quais eram as relações entre as vítimas. O jornal Bild afirmou que todos os mortos eram membros de uma liga de torneios de cavaleiros e de combates medievais. Segundo a emissora RTL, além disso, mantinham relações íntimas entre si e o homem atuava como uma espécie de guru.

A polícia realiza buscas em dois locais. O primeiro deles, um albergue em Passau, na Baviera, onde foram encontrados três corpos no fim de semana com flechas nos corpos. O segundo, a 600 km de distância, é o apartamento em Gifhorn, na Baixa Saxônia, de um das três vítimas do albergue, onde os corpos de duas mulheres foram encontrados na segunda-feira.

Os resultados preliminares das necropsias de Passau, divulgados pela polícia da Baviera, mostram que duas das três vítimas do albergue morreram atingidas por flechas no coração. Os dois mortos, segundo os exames, eram um homem de 53 anos e uma mulher de 33 anos, que estavam com roupas pretas e tinham piercings. Ambos estavam na cama, de mãos dadas.

A autopsia determinou que depois da morte, os dois foram atingidos por mais flechas, lançadas provavelmente pela terceira vítima do albergue, uma mulher de 30 anos, Farina C., que em seguida teria cometido suicídio com uma flecha no pescoço.

As três pessoas pagaram a estadia de três noites em dinheiro e procediam da Áustria, de acordo com a Promotoria de Passau, onde teriam comprado as flechas. Os corpos foram encontrados por uma funcionária do local no sábado.

"Não há indícios que demonstrem que aconteceu uma briga entre as pessoas presentes no quarto", afirmou a polícia bávara. "Solicitamos exames para determinar a possível ingestão de medicamentos, álcool ou entorpecentes", completa um comunicado.

Os investigadores também examinam um carro com o desenho de um arqueiro, automóvel usado pelas três pessoas para chegar ao albergue. No quarto também foram encontrados os testamentos das vítimas que estavam na cama, de acordo com a imprensa local.

Os resultados da necropsia das vítimas do apartamento em Gifhorn, de propriedade de Farina C, indicam que não houve "violência externa". Os corpos são de duas mulheres de 30 anos, mas que não morreram com as flechadas, segundo os investigadores.

Uma das mulheres seria a irmã da mulher de 30 anos de Passau, e não sua companheira, como os investigadores acreditaram em um primeiro momento. / AFP

Tudo o que sabemos sobre:
seitaAlemanha [Europa]Idade Média

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.