Alemanha investigará prisão de turco em Guantánamo

Os partidos Democrata-cristão e Social-democrata alemães - que formam a grande coalizão de governo do país - concordaram nesta terça-feira em estabelecer uma nova comissão de investigação parlamentar para analisar o caso do prisioneiro turco de Guantánamo Murat Kurnaz.Segundo o secretário de organização do grupo parlamentar democrata-cristão, Norbert Roettgen, a Comissão de Defesa se transformará em uma comissão de investigação.A comissão será constituída na quarta-feira e sua primeira sessão está prevista para o começo de novembro.A comissão de investigação que analisa os vôos secretos da CIA, incluindo o seqüestro do alemão de origem libanesa Khaled el-Masri, também tratará do caso Kurnaz, provavelmente a partir de janeiro.Kurnaz, de 24 anos, nascido e criado na cidade alemã de Bremen, deixou a base americana de Guantánamo (Cuba), onde ficou por mais de quatro anos, em agosto.O turco foi detido no Paquistão no final de 2001 e levado a Kandahar, no Afeganistão, onde, segundo seu testemunho, também foi maltratado por membros das forças de elite alemãs KSK.O Ministério de Defesa alemão assegura que não houve maus-tratos, mas ao contrário do que afirmava há algumas semanas, reconheceu que houve um contato entre os militares alemães e Kurnaz.Segundo informações da imprensa, a comissão de investigação quer aproveitar o caso para analisar todas as atividades do KSK em Kandahar de novembro de 2001 até novembro de 2002.Esse corpo de elite, criado há dez anos, é formado por cerca de mil homens, opera de forma encoberta e só presta contas ao ministro da Defesa. No entanto, o Parlamento e a comissão de Defesa devem ser informados sobre grandes operações.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.