Axel Schmidt/AFP
Axel Schmidt/AFP

Alemanha restringe fluxo na fronteira

Após receber mais de 450 mil imigrantes este ano, Berlim diz que chegou ao limite e começa a controlar entrada de estrangeiros vindos da Áustria

Jamil Chade CORRESPONDENTE / GENEBRA

13 Setembro 2015 | 13h37

(Atualizada às 20h) Depois de registrar a entrada de mais de 450 mil refugiados em 2015, a Alemanha voltou neste domingo, 14, a fechar sua fronteira e barrar os trens que chegam da Áustria. Alegando não ter mais como lidar com o fluxo de refugiados, Berlim colocou pressão para um acordo na reunião de amanhã em Bruxelas que discutirá a crise. O encontro ocorrerá após mais um naufrágio na Grécia – 34 imigrantes se afogaram, entre eles 15 crianças e bebês. 

O anúncio do bloqueio das fronteiras foi feito pelo ministro alemão do Interior, Thomas de Maizière, num ato que passou a ser considerado como o fim provisório das regras de livre circulação de pessoas pela União Europeia (UE), um dos pilares do bloco. Na prática, a Alemanha abandonou momentaneamente o Tratado de Schengen, que estabeleceu o fim das fronteiras. Outros governo, como o da República Checa, também adotaram medidas similares.

“O controle passou a ser necessário”, disse o alemão. Para ele, os refugiados precisam entender que não podem escolher a qual país poderão pedir proteção. Há duas semanas, a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, fechou um pacto com o governo de Viena para permitir a entrada dos refugiados. Apenas neste período, 60 mil pessoas chegaram à Alemanha. No entanto, a partir de hoje, todos os trens vindos da Áustria passaram a ser controlados. Apenas cidadãos europeus ou com vistos poderiam seguir viagem. 

Destino. A Alemanha se transformou no principal destino dos refugiados depois que Merkel disse que os sírios seriam bem-vindos no país. No entanto, com as estações de trens de Munique tomadas por refugiados e pressionada por seus aliados em Berlim, o governo admitiu que sua capacidade de acolher os estrangeiros havia chegado ao limite. 

Apenas no sábado, 13 mil pessoas chegaram em trens vindos da Áustria. Hoje, o número chegou a 4 mil pessoas até o fim da tarde, apenas em Munique. Muita gente foi obrigada a dormir nas estações. Em apenas um mês, a Alemanha recebeu 60 mil pessoas.

Observadores disseram ao Estado temer pelo destino de milhares de refugiados que não conseguiram chegar à Alemanha. Na Hungria, 4 mil pessoas aguardam partida para Munique. Hoje, na Áustria, a polícia disse que o país estava recebendo 500 pessoas por hora. No fim de semana, foram mais de 7 mil. 

Cotas. A União Europeia (UE) se reunirá nesta segunda-feira para avaliar a proposta da Comissão Europeia de dividir 160 mil refugiados pelo continente e obrigar os governos a receber uma parcela da população de refugiados. “Esse é um sinal para a Europa”, alertou  Maizière. “Um controle temporário não vai resolver”, admitiu. 

Em nota, a UE afirmou que a “decisão da Alemanha reforça a urgência de se chegar a um acordo”. O Leste Europeu, porém, já indicou que é contra as cotas obrigatórias e o premiê checo, Bohuslav Sobotka, alertou que os países da região “não cederiam”. O premiê húngaro, Viktor Orban, acusou os refugiados de estarem em um “mundo de sonhos”. 


Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.