Alemanha, Israel e EUA assinam protocolo para abertura de arquivos nazistas

Arquivos que mostram como refugiados que viveram em campos de concentração nazistas sofreram e morreram estarão em breve disponíveis para pesquisadores, depois que a Alemanha e sete outros países assinarem nesta quarta-feira, em Berlim, um acordo permitindo a abertura de um vasto arquivo sobre os campos de concentração no período da guerra. Historiadores fizeram campanha durante anos para obter acesso aos mais de 30 milhões de documentos do arquivo da cidade alemã de Bar Arolsen.De acordo com um tratado de 1955, informações sobre o holocausto só poderiam ser dadas para sobreviventes ou pessoas que tinham o consentimento, por escrito, de ex-vítimas. Em virtude da rígida lei de privacidade da Alemanha, o Comitê Internacional da Cruz Vermelha manteve o arquivo restrito durante todos estes anos. Contudo, em abril, o corpo de 11 nações que compõem a mesa do Serviço Internacional de Investigação, um dos braços do Comitê Internacional da Cruz Vermelha, permitiu estender o acesso, apesar das leis de privacidade.Entre os países signatários que participaram da cerimônia estavam a Alemanha, Estados Unidos, Israel, Reino Unido, França, Luxemburgo, Grécia e Itália. A Bélgica, a Polônia e a Holanda devem assinar o documento permitindo o acesso no dia 1º de novembro deste ano.Uma vez assinado, o protocolo deve passar por um processo de ratificação em todos os Estados signatários antes que os arquivos possam ser abertos. Segundo a ministra da Justiça da Alemanha, Brigitte Zypries, os pesquisadores terão acesso aos documentos até o fim do ano. O acesso será garantido de acordo com as leis de privacidade de cada país, no entanto estarão disponíveis na internet, de acordo como o Ministério do Exterior alemão.O ministro do Exterior da Alemanha, Guenter Gloser definiu o processo como "longo e por vezes moroso" mas disse que a conclusão do acordo representa um "grande sucesso para os pesquisadores". "Para a Alemanha, a assinatura ressalta a importância que o país dá ao trato com o passado", disse ele antes da cerimônia.Os nazistas foram meticulosos em sua documentação. Do número de refeições que um trabalhador escravo recebia à descrição detalhada da morte de um prisioneiro de um campo de concentração, tudo era registrado.Muitas das informações são dados simples, como uma lista das pessoas a serem executadas em um campo de concentração. Outras têm páginas e relatam a presença de doenças, e tratamento médico.A Alemanha e a Itália resistiram à abertura dos arquivos, citando preocupação com informações delicadas e pessoas de pessoas que ainda estão vivas. No entanto, historiadores e instituições, como o Museu Memorial do Holocausto, em Washington esperam que o acesso aos documentos aprofunde o entendimento sobre os crimes nazistas. Sobreviventes do Holocausto devem comemorar a vitória, já que foram eles e suas famílias também pressionaram os governos, argumentando que caso os documentos não sejam abertos ao público a história de seus parentes mortos durante a ação nazista seria perdida para sempre.

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