Alemanha luta contra poluição trazida pelas cheias

Enquanto lutam para conter as águas do Rio Elba, que ameaçam inundar mais cidades do leste alemão em seu curso para o Mar do Norte, as autoridades do país se depararam hoje com uma nova frente de batalha: a poluição de seus mananciais de água potável e lavouras por produtos altamente tóxicos, vazados de uma indústria de produtos químicos checa que ainda se encontra parcialmente submersa. O chanceler Gerhard Schroeder enviou seu ministro do Meio Ambiente, Juergen Trittin, à República Checa para uma inspeção detalhada na fábrica Spolana, 15 quilômetros ao norte de Praga. Segundo informações publicadas pela imprensa checa, produtos químicos tóxicos, como mercúrio, foram estocados de forma inadequada nos depósitos da indústria, atingida pelas águas do Rio Moldava e podem estar vazando. Dessa mesma fábrica, escapou pequena quantidade de gás de cloro letal na semana passada. A nuvem, asseguram as autoridades locais, foi dispersada por fortes ventos. O ministro do Meio Ambiente checo, Liborm Ambrozek, acompanhará o colega alemão na inspeção. Ambrozek recusou-se a falar em "catástrofe ecológica", mas admitiu que a situação é potencialmente perigosa. Ele disse que a grande quantidade de cloro estocada ali já foi removida. Além da contaminação por produtos químicos, as autoridades sanitárias alemãs alertaram as populações das áreas atingidas para a possibilidade de ocorrência de surtos de doenças como disenterias e hepatites, provocadas pela decomposição de carcaças de animais mortos. As cidades do nordeste alemão continuam em estado de alerta, com milhares de pessoas sendo removidas de suas casas, ameaçadas pela cheia do Elba. O zôo de Praga, duramente castigado pela inundação, perdeu hoje mais um de seus animais: a foca "Gastão" que havia escapado a nado para o Moldava. Resgatada no Rio Elba, a 200 quilômetros de distância, ela morreu quando era transportada para Praga. O zôo, com 400 animais, já havia perdido um elefante e um hipopótamo.

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