Alemanha: ópera cancelada por questão religiosa pode ser montada

Após ter anunciado o cancelamento da apresentação da ópera Idomeneo, de Mozart, a casa de concertos alemã Deutsche Opera pode conseguir que a exibição do espetáculo aconteça sem atrasos, informou o site do diário britânico Financial Times. A peça está agendada para novembro.Na segunda-feira, a casa havia emitido um comunicado informando a interrupção da peça devido a alertas de autoridades que definiram a obra como ofensiva ao mundo islâmico. Em uma cena da ópera, o rei Idomeneo mostra a cabeça de Maomé e de outros profetas. Em nota oficial, a casa de ópera justificou a decisão dizendo conhecer "as conseqüências do conflito gerado pelas caricaturas (de Maomé)". Após mostrar indignação com o cancelamento da peça, o ministro do Interior da Alemanha e mais alta autoridade de segurança da nação, Wolfgang Schäuble, teria conversado com 30 representantes do mundo islâmico, reunidos para uma convenção na capital alemã. Segundo o Financial Times, o ministro teria informado que todos concordaram que a peça deveria ser mostrada.O ministro, atropelando as autoridades que aconselharam o cancelamento, disse que "nunca houve uma ameaça direta de violência".Choques religiososNo começo deste ano, a publicação de charges em um jornal dinamarquês que satirizavam o profeta Maomé gerou indignação e violência no mundo islâmico. Cidadãos e centros diplomáticos ocidentais foram ameaçados, bandeiras dos EUA e da Dinamarca foram queimadas. Foi estabelecido um boicote por, parte dos muçulmanos, a produtos de origem dinamarquesa. Houve até quem exigisse a morte do cartunista responsável pelos desenhos. Um jornal iraniano chegou a fazer um concurso para as melhores charges que ofendessem o Ocidente. No dia 12 de setembro, em discurso na Universidade de Regensburg, na Alemanha, Bento XVI citou um texto medieval que caracterizava alguns ensinamentos de Maomé como "maus e desumanos", o que desencadeou a ira em nações de maioria muçulmana. O pontífice disse que o texto não refletia sua própria opinião. No domingo, dia 17, o papa afirmou que "sentia profundamente" pelas reações geradas pelo comentário e que o texto citado não refletia suas opiniões. Em meio à fúria no mundo islâmico, o Vaticano solicitou a representantes do papa em diversos países que explicassem o ponto de vista de Bento XVI e o contexto completo de seu discurso.Ampliada às 19:17

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.