Alemanha pede por leis mais duras na prevenção ao terrorismo na União Europeia

A chanceler alemã Angela Merkel pediu o fortalecimento das leis de segurança neste sábado, após o atentado ao jornal Charlie Hebdo e a morte de quatro reféns em incidentes terroristas em Paris e nos arredores da capital francesa.

Estadão Conteúdo

10 de janeiro de 2015 | 13h09

Em seu discurso, Merkel destacou que um maior controle dos dados de passageiros de companhias aéreas se mantém na agenda da União Europeia. "Deixamos claro que o ato terrorista bárbaro na França é um desafio a todos nós para lutarmos pelos valores que defendemos", disse a chanceler em coletiva de imprensa.

O ministro do Interior da Alemanha, Thomas de Maizière, disse à revista Der Spiegel que um rascunho de uma lei que force as empresas aéreas a repassar ao governo informações de passageiros entrando ou saindo da União Europeia deve ser adotado rapidamente.

A adoção da medida, chamada de Diretiva de Registro de Nomes de Passageiros foi suspensa pelo Parlamento Europeu em 2014 devido a preocupações com a proteção dos dados de civis. Os ministros do Interior dos países do grupo devem discutir a medida em reuniões de emergência em Paris no domingo.

A União Social Cristã, partido da coligação da União Democrática Cristã, de Merkel, pediu a ampliação do quadro de funcionários de inteligência para aumentar a vigilância a radicais islâmicos que moram no país, incluindo 180 alemães e residentes que podem ter retornado de lutas na Síria e no Iraque.

Sem evidências concretas de que os indivíduos estão ligados a crimes que justificariam suas prisões, sua vigilância fica delegada às agências domésticas de inteligência da Alemanha, que há muito reclamam da limitação de recursos.

O governo alemão já deu início a leis para criminalizar tentativas de viajar par ao exterior para treinamento em combate e para impedir o financiamento de grupos terroristas. No próximo mês, o país adotará regras que permitem às autoridades apreenderem passaportes de supostos jihadistas. Também são discutidas normas para forçar as operadoras de telecomunicações a reter dados de comunicação de usuários.

Em comunicado, a União Democrática Cristã expressou luto pela morte das vítimas e por suas famílias, ressaltando que os ataques não foram apenas contra a França e seus habitantes. O partido também disse que não permitirá que atos de violência de muçulmanos arruínem a reputação do Islã "e, com isso, a de muitos muçulmanos vivendo pacificamente em nosso país". Fonte: Dow Jones Newswires.

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