Alemanha pede prudência a Rússia e Crimeia

O governo da Alemanha pediu à Rússia e ao governo da Crimeia nesta quarta-feira que ajam com "prudência" para evitar um transbordamento da crise para o leste da Ucrânia.

AE, Agência Estado

19 de março de 2014 | 12h02

"A Rússia está seguindo um caminho de isolamento internacional, e é um caminho que tem grandes perigos para a convivência dos Estados europeus", disse o porta-voz da chanceler Angela Merkel Steffen Seibert, em entrevista coletiva. Segundo ele, notícias de uma morte em base militar da Crimeia salientam o caráter explosivo da situação. "Pedimos urgentemente a Moscou, a todos os responsáveis pela Crimeia, para optar por prudência", disse Seibert. "A Rússia não provou ser um parceiro de estabilidade para a Ucrânia, ela se aproveitou da crise ucraniana."

Mais cedo, o gabinete alemão aprovou os planos da União Europeia (UE) de assinar a parte política de um acordo de associação com a Ucrânia durante uma cúpula marcada para sexta-feira. "Consideramos esse um importante sinal de apoio à Ucrânia, mas também é um sinal claro à Rússia."

Seibert também rejeitou o paralelo apontado pelo presidente da Rússia, Vladimir Putin, entre a anexação da Crimeia e a reunificação da Alemanha. Em seu discurso na terça-feira, Putin disse que Moscou apoiou "unanimemente o desejo sincero e incontrolável dos alemães por unidade nacional" e espera que os alemães "apoiem a aspiração do mundo russo, da Rússia histórica, de restaurar a unidade".

Para a Alemanha, as ações da Rússia na Crimeia violam o direito internacional. Seibert qualificou a comparação feita por Putin como "espantosa". Ele assinalou que "a unificação alemã juntou novamente dois Estados separados de uma nação, enquanto a intervenção da Rússia levará a uma divisão da Ucrânia".

Também nesta quarta-feira o ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Frank-Walter Steinmeier, disse estar confiante de que as nações ocidentais e a Rússia resolveram um empecilho importante para o envio de observadores internacionais à Ucrânia. Conforme o ministro, a Organização para Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), da qual a Rússia é integrante, concordou sobre o limite máximo de observadores que o órgão enviaria para a Ucrânia. Ele disse a repórteres em Berlim hoje que a barreira que persiste nas negociações se refere às regiões para onde as equipes da OSCE serão enviadas.

A Rússia quer que os observadores, que podem somar centenas, vão até o oeste da Ucrânia. Moscou diz que russos étnicos estão sendo alvo de violência na região.

Steinmeier apontou ainda que a Alemanha está preparada para mandar 20 observadores à região já na quinta-feira. Fonte: Dow Jones Newswires e Associated Press.

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