Alemanha permite abertura de arquivos do Holocausto

A Alemanha anunciou nesta terça-feira que permitirá a abertura dos arquivos com informações sobre cerca de 17 milhões de judeus e trabalhadores escravizados de outras origens que há seis décadas foram perseguidos e assassinados pelos nazistas e seus colaboradores durante o Holocausto. Em uma entrevista coletiva concedida no Museu em Memória do Holocausto, em Washington, a ministra da Justiça alemã, Brigitte Zypries, afirmou que seu país colaborará com os Estados Unidos para que seja permitida a abertura dos arquivos, que são resguardados por 11 países na cidade alemã de Bad Arolsen. "A medida permitirá aos historiadores e sobreviventes acesso a entre 30 e 50 milhões de documentos", afirmou Zypries. A Alemanha resistia à abertura dos arquivos com o argumento de resguardar a intimidade dos envolvidos. A medida permitirá aos sobreviventes e parentes das vítimas dos nazistas um maior e mais preciso conhecimento do que ocorreu durante o Holocausto. Os documentos foram usados pelo Comitê Internacional da Cruz Vermelha para procurar vítimas desaparecidas ou mortas durante o Holocausto. A diretora do museu, Sara Bloomfield, disse em conversa com jornalistas que "estamos perdendo os sobreviventes e o anti-semitismo vem aumentando, de modo que esta medida não poderia ser mais oportuna". A decisão da Alemanha tem uma "importância moral e histórica em um momento crucial", afirmou Bloomfield após se reunir com Zypries. O diretor do centro de estudos avançados sobre o Holocausto, Paul Shapiro, disse em outra entrevista que, "de maneira geral, (a medida) possibilita conhecer muito mais sobre o destino de pessoas e saber muito mais sobre o próprio Holocausto: dos campos de concentração, do trabalho forçado e de pessoas expulsas de suas casas". Além de ter mudado de posição, a Alemanha buscará agora a imediata revisão do acordo das 11 nações que controlam os arquivos. Segundo a ministra alemã, a abertura poderia ocorrer num prazo de até seis meses. Estima-se que milhões de pessoas tenham sido assassinadas somente nos campos de concentração mantidos pelos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial. Entre elas, cerca de 6 milhões de origem judaica.

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