REUTERS/Ina Fassbender
REUTERS/Ina Fassbender

Alemanha precisará de 266 mil imigrantes anuais para suprir mão de obra, diz estudo

A força de trabalho alemã deve encolher em um terço ou cerca de 16 milhões de pessoas até 2060

Redação, O Estado de S.Paulo

12 Fevereiro 2019 | 19h06

BERLIM - A Alemanha precisará receber 266 mil novos imigrantes por ano nos próximos 40 anos para compensar o envelhecimento da população e cobrir as necessidades de mão de obra, revela um estudo apresentado nesta terça-feira, 12, pela Fundação Bertelsmann. 

Segundo o relatório, espera-se que até 2060 cheguem anualmente à Alemanha 114 mil pessoas de outros países da UE. Assim, seria preciso chegar outros 152 mil imigrantes de países de fora do bloco a cada ano.

Os autores do estudo, Johann Fuchs e Alexander Kubis do Instituto para Estudos sobre o Mercado de Trabalho, e Lutz Schneider, da Universidade de Coburg, assumem que a taxa de natalidade na Alemanha aumentará, assim como o número de pessoas que trabalharão depois de 60 anos.

No entanto, mesmo considerando um aumento da idade de aposentadoria aos 70 anos e a presença das mulheres no mercado de trabalho, as necessidades de mão de obra não poderão ser cobertas sem imigrantes.

A força de trabalho alemã deve encolher em um terço ou cerca de 16 milhões de pessoas até 2060. Sem imigrantes, segundo análise da agência alemã de notícias Deutsche Welle, a redução do número de trabalhadores poderia ter graves consequências para a quarta maior economia do mundo. 

"A imigração é uma das chaves do êxito futuro. A Alemanha precisa de trabalhadores qualificados também provenientes de regiões de fora da Europa", disse Jörg Dräger, membro da Fundação Bertelsmann.

A informatização, segundo o estudo, não reduzirá as necessidades de mão de obra, mas, ao contrário, aumentará a demanda de trabalhadores altamente qualificados.

A longo prazo, haverá uma redução da escassez de pessoal com formação universitária, mas se agravará a de trabalhadores com formação técnica intermédia.

A imigração europeia não conseguirá cobrir as necessidades alemãs, sobretudo se se levar em conta que os países vizinhos também serão afetados pela mudança demográfica.

Além disso, os estímulos para que trabalhadores de outros países europeus se mudem para a Alemanha diminuirão à medida que avança a convergência econômica dentro da União Europeia, aponta o estudo. 

No fim de 2018, como lembrou a Deutsche Welle (em português) o governo alemão propôs uma nova lei de imigração que visa sobretudo atrair mão de obra qualificada. A proposta, que aguarda aprovação e deve passar a valer só em 2020, mira imigrantes sem formação acadêmica de fora da UE e pretende preencher o elevado número de vagas disponíveis no mercado de trabalho alemão, contribuindo, assim, para estabilizar o sistema público de previdência social.

Acolhida

O crescimento econômico constante desde 2010 e as políticas de incentivo às famílias de governos sucessivos nos últimos anos ajudaram a elevar a taxa de natalidade, mas ela ainda se encontra abaixo da taxa de mortalidade no país.

O apoio do governo alemão a refugiados aumentou em anos recentes. Nos últimos anos, o governo gastou cerca de € 28,7 bilhões em fundos para acomodar e integrar os mais de um milhão de postulantes a asilo que ingressaram no país, graças às políticas de acolhida da primeira-ministra, Angela Merkel. Tais políticas, porém, tiveram um preço político para a chanceler dentro até mesmo do seu partido, que a pressionou para limitar a chegada de imigrantes ao país. / EFE, AFP e REUTERS  

 

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