Alemanha prepara nova tentativa de proibir PND

Denúncias de ligação do partido com neonazistas, a partir da prisão de suspeito de participação no assassinato de 6 estrangeiros, motivam manobra

BERLIM, O Estado de S.Paulo

11 de dezembro de 2011 | 03h07

Na medida em que vêm à tona na Alemanha denúncias de supostos elos entre o Partido Nacional Democrata (PND) e uma assassina célula terrorista neonazista, um coro cada vez maior de políticos vem pedindo - para tão logo quanto seja possível - a proibição da legenda.

"A proibição ao PND precisa ocorrer imediatamente", disse o governador da Saxônia-Anhalt, Reiner Haseloff, acrescentando que havia pouca dúvida quanto à inconstitucionalidade da organização. "Parece-me evidente o fato de que eles mantiveram contato com a cena militante. Não há espaço para meias palavras: uma democracia confiante e vigilante precisa lidar com essa ameaça", disse.

A nova tentativa de proibição ao PND é o resultado da prisão de Ralf Wohlleben, detido semanas atrás como suspeito de ter fornecido uma arma a um trio de neonazistas acusado pelo assassinato de nove pessoas de origem estrangeira, bem como o de uma policial.

As autoridades alegam que Wohlleben, de 36 anos, deu apoio instrumental para seis dos assassinatos.

O caso da chamada célula de Zwickau, nome da cidade onde moravam os membros do grupo, chocou os alemães e "envergonhou" o país, disse a chanceler Angela Merkel.

Seus supostos elos com o PND, que ocupa cadeiras nos parlamentos da Saxônia e de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, no nordeste do país, podem agora se mostrar fundamentais para aqueles que defendem uma proibição definitiva ao partido.

Ole Schroeder, funcionário do alto escalão do Ministério do Interior e membro do conservador grupo de Merkel, os Cristãos Democratas, diz que o suposto papel desempenhado por Wohlleben, ex-membro do PND, é decisivo para o caso.

"Os investigadores devem agora analisar se Wohlleben se envolveu com a célula terrorista de Zwickau a mando do PND, ou se o fez sem o conhecimento do partido", disse ele ao diário Hamburguer Abendblatt. "Tratou-se de um ato cometido pelo partido ou por um indivíduo? Essa pergunta será decisiva no debate envolvendo a proibição ao PND." / TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.