Alemanha pressiona Karzai para rever polêmica lei afegã

A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, pressionou o presidente Afeganistão para que revise uma nova lei que, segundo os críticos, legaliza o estupro dentro do matrimônio. Um porta-voz da chanceler disse que ela não planejava se encontrar com os líderes do Afeganistão em Cabul, mas que ela falou ontem por telefone com o presidente Hamid Karzai. Merkel "apelou urgentemente" para que Karzai revise "com muito cuidado" a nova lei, cujo objetivo é regular a vida familiar na minoria xiita afegã. Merkel fez uma visita surpresa ao norte afegão, para se encontrar com tropas alemãs e observar os esforços de reconstrução do país.

AE-AP, Agencia Estado

06 de abril de 2009 | 15h33

Merkel "deixou claro que essa lei não corresponde com as ideias do governo e com as ideias pessoais dela em relação à igualdade entre homem e mulher", disse o porta-voz. Karzai afirmou que respondeu que irá "se ocupar intensivamente do assunto", segundo o funcionário. De acordo com um dos artigos regulando a frequência sexual entre casais xiitas, os maridos têm o direito de ter relações sexuais a cada quatro dias, a menos que a mulher esteja doente. O Fundo de Desenvolvimento da Mulher da Organização das Nações Unidas (ONU) afirmou que a lei legaliza o estupro de uma mulher pelo marido.

A medida foi também duramente criticada pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. No sábado, Karzai disse que ela será revisada por especialistas e também por líderes religiosos. Porém, ele reclamou que a mídia ocidental havia traduzido a lei incorretamente. Sob o regime do Taleban, entre 1996 e 2001, as afegãs não podiam aparecer em público sem uma burca e um homem da família para acompanhá-las. Atualmente, milhões de meninas vão à escola no país e muitas mulheres trabalham.

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