Alemanha proíbe espionagem de usar jornalistas como informantes

O governo da Alemanha proibiu nesta segunda-feira os serviços secretos de usarem jornalistas como informantes para identificar delatores dentro de suas organizações.O governo reagiu assim a um relatório que indicou que durante anos o Serviço Federal de Inteligência, o BND (sigla em alemão), usou informações de jornalistas com o objetivo de desmascarar um delator dentro da organização.O porta-voz do governo, Ulrich Wilhelm, disse nesta segunda-feira que a Chancelaria proibiu os serviços secretos de "usarem os jornalistas como fontes para obterem informações que sirvam para a proteção interna".A ordem foi dada pelo ministro da Chancelaria, Thomas de Maizière, responsável pela coordenação dos serviços secretos.Na semana passada, a imprensa divulgou um relatório confidencial feito por um ex-juiz do Tribunal Supremo, que indica que o BND vigiou vários jornalistas durante anos.A princípio, a operação tinha o objetivo de desmascarar um informante dentro do BND.O relatório confidencial feito pelo ex-juiz do Supremo, Gerhard Schaefer, a pedido da comissão de controle parlamentar também menciona casos de jornalistas que espionaram companheiros e venderam informações ao BND.Estes jornalistas foram escolhidos pela espionagem ou se ofereceram voluntariamente a cooperar com o BND.Entre os veículos de comunicação mais vigiados estavam as publicações Der Spiegel, Focus e Stern e o jornal Süddeutsche Zeitung.Entre as atividades do BND citadas por Schaefer estavam, por exemplo, a observação da vida privada dos jornalistas.Um jornalista da revista Focus trabalhou para o BND de 1982 até 1998 e recebeu em troca 600 mil marcos (300 mil euros). As informações mais recentes datam do ano passado.Schaefer preparou um relatório de mais de 170 páginas depois de interrogar oito altos funcionários do BND que conheciam estas práticas.O relatório, que foi elaborado por incumbência de uma comissão parlamentar depois que o primeiro caso de vigilância veio a público, conclui que o BND atuou ilegalmente e violou a liberdade de imprensa.Nos últimos dias vários políticos pediram esclarecimentos sobre o escândalo, cujos detalhes estão restritos à comissão de controle parlamentar.A comissão se reúne a cada mês e é encarregada de controlar se as atividades dos três serviços secretos - interno, externo (BND) e militar - estão dentro de suas competências.Os nove membros da comissão, todos deputados, se reúnem em um local à prova de escutas dentro da sede do Parlamento, e se comprometeram a não revelar o conteúdo de suas decisões.No entanto, nos últimos meses aumentaram os casos de vazamento de detalhes das reuniões.

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