AFP PHOTO / TOBIAS SCHWARZ
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Alemanha rechaça saudação nazista nos EUA

Manifestação de aliados de Trump em evento leva Berlim a manifestar ‘repulsa’ sobre grupo de extrema direita próximo a presidente eleito

O Estado de S.Paulo

23 de novembro de 2016 | 18h44

BERLIM  - O governo alemão expressou repulsa nesta quarta-feira, 23, pelas saudações nazistas feitas por militantes de extrema direita nos Estados Unidos em exaltação ao presidente eleito Donald Trump. A chancelaria alemã disse estar confiante que os Estados Unidos conseguirão lidar com a questão da melhor maneira. 

“De maneira geral, quando vemos vídeos com pessoas levantando as mãos como nas saudações a Hitler nos sentimos indignados”, disse o porta-voz Steffen Seibert. “Vai contra todos os nossos princípios e valores políticos.”

O vídeo em questão foi publicado pelo site da revista Atlantic e mostra participantes de um evento do Instituto de Política Nacional, um think thank de supremacistas brancos, durante o discurso de seu diretor, Richard Spencer. 

Ainda de acordo com o porta-voz, o fato de o episódio estar sendo discutido nos Estados Unidos é um bom sinal. "Temos muita fé que a sociedade civil, a imprensa e os políticos cuidarão da maneira mais adequada desses terríveis eventos", disse.

Grupos neonazistas e de extrema direita existem nos Estados Unidos há décadas, mas ganharam força com a nomeação de Trump como candidato à presidência. Outros grupos, como a Ku Klux Klan, de orientação racista, também aderiram ao candidato. 

No discurso, Spencer diz: "Hail, Trump (Louvem Trump)". Os nazistas gritavam "Sieg Heil!"(Louvem a vitória).

Merkel. Em discurso no Reichtag, o Parlamento alemão, a chanceler Angela Merkel alertou para o risco do populismo e o isolacionismo afetar as democracias ocidentais frente aos desafios da modernidade. 

Em discurso diante do plenário do parlamento em seu primeiro comparecimento público após anunciar que, no próximo ano, voltará a concorrer para um novo mandato, Merkel deixou claro que a Alemanha "não pode resolver sozinha os problemas do mundo", mas garantiu que contribuirá para isso.

Merkel apostou no multilateralismo, elogiou o acordo de livre-comércio com o Canadá e admitiu que não estava "contente" com a decisão do presidente eleito dos EUA, Donald Trump, de retirar seu país da Parceria Trans-Pacífica (TPP). 

Merkel reconheceu que o atual panorama internacional e nacional é mais complicado que o de alguns anos atrás. Ela disse também que compreende o temor de ver princípios que pareciam óbvios nas sociedades democráticas ocidentais passarem a ser questionados. Por isso, ela reiterou a necessidade de que as pessoas se mostrem unidas frente aos populismos.

A chanceler alemã destacou ainda a importância de combater as mensagens e informações manipuladas e falsas que são disseminadas pela internet. Contra aqueles que usam os medos dos cidadãos para se promoverem, Merkel lembrou a positiva evolução econômica do país nos últimos anos e o aumento nas contribuições sociais e previdência, em uma referência velada ao presidente eleito americano, Donald Trump.

A chanceler lembrou também a “incrível” resposta internacional para a catástrofe da Segunda Guerra Mundial, com a criação das Nações Unidas e da Convenção de Direitos Humanos, e defendeu a continuidade desse caminho para “dotar de humanidade a globalização”.

Durante a presidência rotativa do G20, que a Alemanha assume em dezembro, Merkel pretende continuar com os avanços na transparência dos mercados financeiros internacionais e no desenvolvimento do continente africano. No âmbito da UE, a chanceler reconheceu a necessidade de lutar contra a falta de credibilidade do bloco. /AP e EFE

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