EFE/ Tobias Schwarz
EFE/ Tobias Schwarz

Alemanha rejeita indulto solicitado pelo ‘contador de Auschwitz’

Oskar Gröning foi condenado em 2015 a quatro anos de prisão por cumplicidade no assassinato de 300 mil judeus

O Estado de S.Paulo

17 Janeiro 2018 | 13h59

BERLIM - A procuradoria da Alemanha rechaçou o indulto solicitado por Oskar Gröning, ex-membro da SS (polícia de Estado de Adolf Hitler) conhecido como o "contador de Auschwitz", que foi condenado em 2015 a quatro anos de prisão por cumplicidade no assassinato de 300 mil judeus.

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Segundo informou nesta quarta-feira, 17, a emissora regional NDR, a procuradoria de Lüneburg - cidade do norte da Alemanha onde foi condenado - confirmou a negação do indulto. Agora, a última opção de Gröning para evitar a prisão é solicitar seu perdão perante o Departamento de Justiça do Estado federado da Baixa-Saxônia.

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A procuradoria de Hanover havia falado recentemente sobre sua intenção de convocar Gröning, de 96 anos, em breve para sua transferência à prisão, depois que o Tribunal Constitucional rejeitou o recurso apresentado pelos seus advogados, alegando que não se tinha levado em conta o precário estado de saúde do condenado.

Segundo foi relatado no julgamento, Gröning entrou em 1941, então com 20 anos, nas Waffen-SS. Dois anos depois, começou a ajudar em Auschwitz, onde assumiu a incumbência de confiscar as posses dos deportados e fazer as correspondentes transferências a Berlim.

A acusação focou em seu papel na chamada "Operação Hungria", de meados de 1944, quando chegaram a Auschwitz cerca de 450 mil judeus, dos quais 300 mil foram assassinados.

Gröning, que após a queda do nazismo passou por um campo de internamento britânico e depois voltou à vida civil como contador em uma fábrica de vidro, foi indiciado em 1977, mas absolvido em 1988.

O processo contra Gröning foi o expoente dos julgamentos tardios por crimes do nazismo, abertos após o precedente fixado pelo caso do ucraniano John Demjanjuk, condenado em 2011 a cinco anos de prisão por cumplicidade nas mortes ocorridas no campo de extermínio de Sobibor, na Polônia ocupada.

Gröning admitiu no processo sua "cumplicidade moral" nas mortes do campo de extermínio de Auschwitz, onde realizou tarefas como apreensão e administração do dinheiro e das posses de quem chegava como deportado. Ele expressou seu arrependimento e pediu perdão aos sobreviventes e parentes das vítimas da acusação.

A condenação a quatro anos de prisão superou o pedido da procuradoria - que havia solicitado três anos e meio -, enquanto a defesa pede a absolvição do acusado. / EFE

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