Ronny Hartmann/ AFP (28/04/2021)
Ronny Hartmann/ AFP (28/04/2021)

Alemanha supera 100 mil mortes por covid-19 e tem recorde diário de casos

País europeu registrou 351 novas mortes nas últimas 24 horas, enquanto média móvel (últimos sete dias) bateu recorde de 419,7 infecções por 100 mil habitantes

Redação, O Estado de S.Paulo

25 de novembro de 2021 | 12h31
Atualizado 25 de novembro de 2021 | 17h33

Mais de 100 mil pessoas (110.119) morreram de covid-19 na Alemanha desde o início da pandemia, informou o Instituto Robert Koch nesta quinta-feira, 25, após contabilizar 351 novas mortes nas últimas 24 horas. O país europeu se tornou a 13ª nação do mundo a superar a marca, enquanto atravessa seu pior momento em número de infectados - cenário que tenta conter com a reativação de medidas restritivas e com a ampliação de sua campanha de vacinação.

"O dia no qual temos que lamentar 100 mil vítimas do coronavírus é um dia triste", declarou a chanceler Angela Merkel em entrevista coletiva, na qual também clamou ao próximo governo que imponha rapidamente medidas de distanciamento social para diminuir a curva exponencial de crescimento de contágios. Olaf Scholz, líder social-democrata que deve suceder Merkel em dezembro e terá a pandemia como principal (ou pelo menos o mais imediato) desafio, admitiu que "a situação é terrível".

Na semana passada, Merkel e Scholz chegaram a anunciar que novas restrições para não vacinados seriam adotadas em locais onde as taxas de hospitalização ultrapassassem um determinado limite, com proibição de acesso a não vacinados em eventos públicos, culturais e esportivos e restaurantes. No entanto, no começo desta semana, a própria chanceler advertiu para a "situação dramática" do país e disse que as restrições atuais "não são mais suficientes".

Com o passar da semana, o cenário se agravou. O Instituto Robert Koch registrou, nesta quinta, 75.961 novos casos da doença, o novo recorde diário para o país. O recrudescimento de contaminações sem precedentes também fez  média móvel (últimos sete dias) atingir o pico máximo de 419,7 infecções por 100 mil habitantes.

Alguns fatores ajudam a explicar a quarta onda na União Europeia como um todo. Com a proximidade do inverno, as pessoas costumam passar mais tempo dentro de casa, onde o vírus se espalha facilmente. Neste contexto, a vacinação se torna ainda mais essencial, porém, pouco mais de 60% da população com mais de 12 anos está totalmente vacinada no bloco, o que deixa cerca de 150 milhões de pessoas desprotegidas - a menos que já tenham adquirido imunidade por terem se curado da doença.

Mesmo com a vacinação regular, ocorre que a imunidade adquirida com a vacina também diminui com o tempo, o que torna as doses adicionais ainda mais necessárias. Mas a UE demorou a administrá-las, e na Alemanha, onde o número de casos dobra a cada 12 dias, apenas 8% da população recebeu uma terceira dose.

Sem o controle dos contágios, o cenário atual preocupa cada vez mais as autoridades do país, que temem a saturação da rede de saúde. "As pessoas que adoecem hoje se tornam pacientes de UTI em 10 a 14 dias (...), então é crucial garantirmos que nossos hospitais não fiquem superlotados", afirmou a chanceler Angela Merkel, em entrevista coletiva.

Mas hospitais já alertam que os leitos de UTI estão se esgotando e que quase 4 mil estão ocupados por pacientes com covid-19. Diante da situação, alguns hospitais no sul e no leste do país já começaram a transferir pacientes para outras regiões.

"Em certas regiões, os hospitais já estão enfrentando "sobrecarga aguda" que exige a transferência de pacientes", alertou Gernot Marx, presidente da federação alemã de médicos intensivos.

Scholz indicou que a Alemanha tem de "estudar uma possível extensão" da obrigação de vacinação, atualmente em vigor no exército e nos estabelecimentos de saúde.

Atualmente, a Europa é a região do mundo mais afetada pela pandemia, com mais de 2,5 milhões de casos e quase 30 mil óbitos em uma semana.

Os 13 países que já ultrapassaram as 100 mil mortes por covid: EUA, 775 mil mortes; Brasil, 613 mil; Índia, 466 mil; México, 292 mil; Rússia, 262 mil; Peru, 200 mil; Reino Unido, 144 mil; Indonésia, 143 mil; Itália, 133 mil, Irã, 129 mil; Colômbia, 128 mil; França, 119 mil; Argentina, 116 mil; Alemanha, 100 mil

Vacinação abaixo do esperado

A situação é mais grave em países com taxas de vacinação contra a covid-19 abaixo do esperado, como acontece na Alemanha e na vizinha Áustria, onde o governo retomou o confinamento da população (o quarto desde o início da pandemia).

A taxa da população completamente vacinada na Alemanha é de 67% abaixo de outros países europeus como Portugal (87%), Espanha (80%), Itália (72%) e França (69%), segundo dados do "Our World in Data".

Mas a porcentagem dos alemães imunizados é similar à do Reino Unido (67%) e da média da União Europeia (66%) e superior à da Áustria (64%) e de países como Brasil (60%) e Estados Unidos (57%).

A Saxônia, estado no nordeste do país que tem a menor taxa de vacinação (57%), se tornou nesta quinta a primeira região alemã a registrar um número semanal de casos confirmados acima de 1 mil por 100 mil habitantes.

Covid-19 na Europa

O departamento europeu da Organização Mundial da Saúde (OMS) advertiu na quarta-feira, 25, que a covid-19 pode provocar 700 mil mortes no continente até março.

A OMS atribui a nova onda de Covid-19 na Europa à proliferação da variante delta, a uma cobertura insuficiente de vacinação e a uma flexibilização das restrições.

Embora 67% dos moradores da União Europeia estejam completamente vacinados, as diferenças entre países são notórias: apenas 24% dos búlgaros tomaram as duas doses, contra 87% dos portugueses.

Vários países estão endurecendo as medidas de restrição, e elas têm provocado protestos - alguns violentos - em países como Áustria, Bélgica e Holanda.

Medidas contra o vírus

No momento, a futura coalizão de governo descarta adotar um lockdown nacional na Alemanha e aposta no uso do certificado de vacinação nos transportes e na restrição de acesso de não vacinados a certos lugares.

Scholz afirmou que o país precisa "estudar" uma eventual ampliação da obrigatoriedade da vacinação, que atualmente já está em vigor no exército e em estabelecimentos de saúde.

O governo de Angela Merkel, do qual os social-democratas já fazem parte, prorrogou até abril de 2022 as ajudas para as empresas afetadas por fechamentos e queda de receita devido à pandemia./ AP, AFP, REUTERS e THE ECONOMIST

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