EFE/EPA/FILIP SINGER
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Alemanha tem atos pró e anti-imigração

Cidade de Chemnitz, na Saxônia, sedia nesta segunda-feira festival de rock contra o racismo; no sábado, milhares foram às ruas a favor e contra imigrantes

O Estado de S.Paulo

03 Setembro 2018 | 05h30

CHEMNITZ, ALEMANHA - Um festival promovido por bandas de rock para combater o racismo será realizado nesta segunda-feira, 3, na cidade alemã de Chemnitz, no leste do país, que desde a semana passada tem sido palco de protestos da extrema direita e episódios de violência, mas também de movimentos contra a xenofobia.

Até a noite de domingo, mais de 31 mil pessoas tinham confirmado presença nos shows do Wir sind mehr (Há mais de nós, em tradução livre), segundo a página do evento no Facebook e outras 118 mil mostraram interesse - ao menos sete artistas devem se apresentar a partir das 17 horas (meio dia, em Brasília). 

“Não podemos permitir que o racismo ande pelas ruas sem ser contestado”, diz a descrição do evento. “Para todas as pessoas, as que foram atacadas por neonazistas e as que defendem valores como tolerância, respeito e humanidade, queremos mostrar que vocês não estão sozinhos”, continua o texto.

No domingo, o ministro alemão de Relações Exteriores, Heiko Maas, pediu que seus compatriotas “se levantem do sofá” e sejam combativos após os incidentes racistas em Chemnitz.

“Infelizmente, nossa sociedade se tornou muito acomodada e temos que superar isso”, disse Maas em entrevista ao jornal Bild am Sonntag. “Temos que levantar de nossos sofás e abrir nossas bocas. Temos que mostrar ao mundo que nós democratas somos a maioria e que os racistas são a minoria.” “A silenciosa maioria deve se tornar barulhenta”, apelou o ministro.

Embates

Ao menos 17 pessoas ficaram feridas no sábado à margem de duas manifestações que reuniram mais de 10 mil pessoas nas ruas de Chemnitz, uma em repúdio e a outra em apoio à política migratória do governo de Angela Merkel.

A manifestação que teve mais adesão foi a convocada pelo partido de extrema direita Alternativa para a Alemanha (AfD, em alemão). Do outro lado, a concentração “Coração no lugar do ódio”, organizada por vários grupos políticos, foi a maior no combate à xenofobia.

Há duas semanas, esta cidade da Saxônia tem sido palco de várias manifestações e tornou-se o epicentro da mobilização contra os requerentes de asilo na Alemanha depois do assassinato de um alemão de 35 anos pelo qual foram detidos preventivamente um iraquiano e um sírio - ambos solicitantes de asilo.

As manifestações de sábado aconteceram sem incidentes e na presença de mais de 2 mil policiais para impedir episódios de violência como os registrados na semana anterior.

No início da dispersão dos protestos, no entanto, foram registrados confrontos entre militantes que decidiram desafiar os manifestantes do campo contrário. A polícia informou que nove pessoas foram feridas durante sua intervenção para evitar confrontos diretos.

A Polícia também disse que um afegão de 20 anos foi atacado horas depois dos protestos no sábado por quatro homens encapuzados e que está investigando se os agressores teriam participado da manifestação de extrema direita.

Saudação nazista

A polícia do Estado da Bavaria, no sul, suspendeu preventivamente e está investigando dois policiais que teriam feito a saudação nazista na semana passada. A corporação disse que eles gritaram frases contra imigrantes e fizeram a saudação em um pub na cidade de Rosenheim. Um terceiro homem, descrito como um segurança, também fez a saudação. / AFP, EFE e REUTERS

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