Andreas Arnold/DPA via AP
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Alemanha tem recorde diário de mortes por covid-19 no dia em que retoma confinamento parcial

País europeu registrou 952 mortes em 24 horas e mais de 27 mil novos casos foram confirmados; taxa de ocupação de UTIs já ultrapassa os 83%

Redação, O Estado de S.Paulo

16 de dezembro de 2020 | 09h00

FRANKFURT - A Alemanha entrou em um novo confinamento parcial  nesta quarta-feira, 16, diante da nova onda de propagação da covid-19 e a explosão do número de mortes no país, que registrou um nível recorde para apenas um dia.

Um total de 952 pessoas morreram nas últimas 24 horas e o país também registrou 27.728 novos casos confirmados de covid-19, segundo o instituto de vigilância epidemiológica Robert Koch. O número de contágios se aproximou do recorde de quase 30.000 casos da sexta-feira passada. O recorde anterior de mortes em apenas um dia era 11 de dezembro, com quase 600 vítimas fatais.

A situação dos Unidades de Terapia Intensiva é cada vez mais preocupante 83% dos leitos de reanimação ocupados, segundo a Federação de Medicina Intensiva (Divi). Ainda há quase 5.000 leitos disponíveis, contra 9.000 de meados de outubro.

Assim como outros países europeus, a Alemanha decidiu ampliar as restrições de viagens antes do Natal. No Reino Unido, pubs, restaurantes e hotéis de Londres terão que fechar pela terceira vez este ano, a Dinamarca aplica um confinamento parcial em todo o país e a Holanda decretou um fechamento de cinco semanas, que começou na terça-feira. A França, onde bares, restaurantes e centros culturais estão fechados desde o fim de outubro, aplica um toque de recolher entre 20h e 06h.

Na Alemanha, o cenário atual contrasta com a primeira onda da pandemia, no primeiro semestre, que o país conseguiu administrar bem.

Fique em casa

Os alemães retomaram nesta quarta-feira o confinamento parcial, que recorda as medidas aplicadas durante várias semanas no começo do ano, com o fechamento das escolas e dos estabelecimentos comerciais não essenciais.

As autoridades desejam aplicar pelo menos até 10 de janeiro o princípio 'fique em casa' em todo o país, de acordo com o texto da resolução aprovada no domingo em uma reunião entre a chanceler Angela Merkel e os governantes dos 16 estados regionais.

Os contatos sociais serão muito restritos entre 24 e 26 de dezembro. As reuniões serão autorizadas apenas entre parentes muito próximos. As celebrações de Ano Novo serão reduzidas ao mínimo, com a proibição das vendas de fogos de artifício e das reuniões.

As medidas têm o objetivo de evitar o colapso do sistema hospitalar. Na capital Berlim, a taxa de ocupação dos serviços que atendem os casos mais graves de covid-19 já supera 88%. Em várias cidades, a população correu para fazer as compras de Natal antes do fechamento das lojas.

"Espero que as compras de segunda-feira e terça-feira não nos penalizem", disse Angela Merkel. "A curva (de infecções) é muito ruim", advertiu a chanceler durante uma reunião com parlamentares da bancada conservadora. 

"A vacina nos ajudará, mas a evolução da pandemia continua sendo imprevisível", completou, enquanto o governo pressiona a Agência Europeia de Medicamentos (EMA) para que valide o mais rápido possível a vacina dos laboratórios Pfizer-BioNTech.

A campanha de vacinação na Alemanha pode começar antes do fim do ano. "Poderemos voltar gradualmente à normalidade a partir do verão", prometeu o ministro da Saúde, Jens Spahn.

Um funcionário da Associação Médica Mundial, Frank Ulrich Montgomery, disse que espera medidas de confinamento "ao menos até a Páscoa". "Mesmo que as vacinas cheguem antes do esperado, contribuirão lentamente para melhorar a situação", afirmou./ AFP

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