Alemão de 88 anos é acusado por massacre nazista

Ex-soldado da SS nazista foi indiciado por 25 acusações de assassinato

O Estado de S. Paulo,

08 de janeiro de 2014 | 15h40

BERLIM - Autoridades alemãs informaram nesta quarta-feira, 8, que indiciaram um homem de 88 anos, ex-soldado da SS nazista, por 25 acusações de assassinato. Ele teria participado de um dos maiores massacre de civis na França ocupada.

O porta-voz do tribunal do Estado de Colônia, Achim Hengstenberg, disse que o suspeito, Werner C., cujo sobrenome não foi divulgado em razão das leis de privacidade alemãs, também foi indiciado por centenas de acusações por participação indireta no massacre ocorrido em Oradour-sur-Glane, sul da França, em 1944.

Promotores da cidade alemã de Dortmund afirmam que o suspeito atirou contra 25 homens, como integrante de um pelotão de fuzilamento, e ajudou tropas a bloquear e atear fogo a uma igreja, na qual dezenas de mulheres e crianças foram queimadas vivas. No total, 642 homens, mulheres e crianças foram mortos.

O advogado do suspeito, Rainer Pohlen, disse à Associated Press que seu cliente não nega ter estado na vila, mas afirma que não disparou um tiro sequer naquele dia e não esteve envolvido em quaisquer outros assassinatos. "Meu cliente contesta qualquer participação neste massacre, que ele considera um ato verdadeiramente terrível", disse, acrescentando que o Werner tem colaborado totalmente com os investigadores.

O tribunal precisa decidir se vai adiante com o julgamento, mas os suspeito tem até 31 de março para responder às acusações. Se o caso for julgado, ele possivelmente será realizado num tribunal juvenil, pois os suspeito tinha apenas 19 anos na época do crime. O suspeito fazia parte da 3ª Companhia do 1º Batalhão do regimento "Der Fuehrer" da divisão "Das Reich" da SS.

No dia 10 de junho de 1944, apenas quatro dias depois do desembarque na Normandia, o "Dia D", a companhia atacou Oradour-sur-Glane em represália ao sequestro de um soldado alemão pela resistência francesa. As tropas levaram os civis para celeiros e a seguir para a igreja, bloquearam as portas e atearam fogo em toda a cidade. Os que não foram mortos pelo fogo foram alvejados enquanto fugiam, embora alguns tenham conseguido escapar.

Oradour-sur-Glane é, ainda hoje, uma vila fantasma, com carros queimados e prédios abandonados. /AP

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